Museu Imperial completa 70 anos

Museu Imperial completa 70 anos neste sábado (Foto: Divulgação/ Museu Imperial-Ibram-MinC)

Há exatos 70 anos, Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, comemorava seu centenário. Como parte da celebração, era inaugurado o Museu Imperial. Com um acervo de mais de 300 mil peças, entre mobília, documentos, imagens e roupas, dentre outros, o museu, que conta um pouco da história do Império Brasileiro, é um dos maiores do país.

Diretor do Museu Imperial, Maurício Vicente Ferreira Junior conta que a cidade de Petrópolis tem uma relação “quase umbilical” com o museu. Ela foi fundada em 16 de março de 1843, quando D. Pedro II iniciou a construção do palácio de veraneio da família imperial no terreno da antiga Fazenda do Córrego Seco. O local foi escolhido por seu pai, D. Pedro I, que ficou encantado pelo clima e vegetação da Serra Fluminense e batizado em sua homenagem.

O Palácio da Concórdia foi finalizado em 1862 e serviu de residência de verão de D. Pedro II e sua família até a queda do Império em 1889. Depois, abrigou o Educandário Notre Dame de Sion, entre 1893 e 1908, e o Colégio São Vicente de Paulo, de 1909 a 1939. “Alcindo Sodré, que foi prefeito de Petrópolis, sonhava ver o Colégio São Vicente, onde estudou, transformado em um museu dedicado ao Império”, comenta Ferreira Junior.

Quando foi prefeito de Petrópolis, Sodré sugeriu ao presidente Getúlio Vargas que o Palácio da Concórdia fosse utilizado para abrigar o museu. “O Estado Novo já planejava criar um museu dedicado ao Império. Após a sugestão de Sodré, o local foi decidido”, conta Maurício. De acordo com o diretor, nos três anos seguintes foi feito um levantamento de objetos da família imperial em diversos museus e instituições. “Recebemos peças de 15 museus, muitos deles sob pressão do Governo Vargas”, comenta Ferreira Junior.

Atualmente, o Museu Imperial conta com um acervo de 300 mil peças, entre documentos, imagens, obras de arte e mobília. Desses, cerca de 250 mil documentos e fotografias se encontram no Arquivo Histórico, frequentemente acessado por estudantes, roteiristas de televisão e cenógrafos de escolas de samba. Maurício destaca ainda que há aproximadamente 60 mil livros na biblioteca do museu. Em exposição, encontram-se cerca de 1000 itens. “Assim como outros grandes museus do mundo, não temos espaço para expor todas as peças. Muitas delas são cedidas para exposições itinerárias e temporárias”, explica Maurício.

A conservação deste acervo fica a cargo do Laboratório de Restauração e Conservação do Museu Imperial. A diretora do setor, Elaine Zanatta, revela que o principal foco de atuação do laboratório não é a restauração, mas a preservação dos materiais. Para isso, cuidam da climatização das salas de exposição do museu, além do treinamento dos profissionais que fazem o transporte, instalação e limpeza das peças.

Zanatta conta que não há uma equipe fixa de conservação e restauração. As equipes são convocadas a partir do momento em que surgem trabalhos a serem realizados. “Atualmente, temos apenas uma pessoa fazendo a restauração das peças. Mas, há pouco tempo, cerca de dez pessoas trabalharam na restauração da berlinda de D. Pedro II”. Ela destaca que os restauradores geralmente são pessoas de Petrópolis sem uma formação específica. Supervisionados por especialistas em História, Engenharia Química e Biologia, entre outras áreas, os restauradores passam por um treinamento e por testes de habilidade.

Quem quiser conferir o trabalho de restauração de perto, pode conhecer o laboratório durante a visita ao Museu Imperial. O antigo salão das viaturas foi transformado em Setor de Restauração e, protegidos por um vidro, os restauradores trabalham nas peças, podendo ser vistos pelo grande público. “Abrimos o espaço para universidades e profissionais da área, com agendamento prévio”, comenta Elaine.

Outras sedes e internet

Além do Palácio da Concórdia, o Museu Imperial também está na Casa de Cláudio de Souza, em Petrópolis. O imóvel foi cedido ao museu em 1954, quando o ex-presidente da Academia Brasileira de Letras faleceu. Maurício conta que a casa, aberta a visitação, abriga uma biblioteca com cerca de 600 livros, além de funcionar como sede de algumas instituições, como Instituto Histórico de Petrópolis, a Academia Brasileira de Poesia, a Academia Petropolitana de Letras e a Academia Petropolitana de Educação.

No futuro, a Casa Geyer, no Rio de Janeiro, passará a fazer parte das instalações do museu. Doada pela família de mesmo nome, o imóvel abriga uma das maiores coleções iconográficas brasileiras, com 4255 itens. “São fotos, quadros, desenhos e mapas do Rio e do Brasil, principalmente do Século 19”, comenta. A casa é a moradia de Maria Cecília Geyer. Assim que for cedida, será restaurada pelo museu e aberta ao público.

O diretor do Museu Imperial destaca que há também um projeto de digitalização do acervo. “Hoje, temos cerca de 10% das peças digitalizadas. Nosso objetivo é completar o processo em 15 anos”, comenta. Ele explica que o trabalho é complexo, e terá mais de um milhão de imagens: “São mais de 200 mil documentos, 60 mil livros. Desses, muitos tem entre 500 e 700 páginas. O número de imagens é exponencial”. O projeto já digitalizou 125 mil peças, que podem serconferidas aqui.

Programação de aniversário

No sábado, o Museu Imperial abre gratuitamente. A partir das 15h, acontece uma homenagem a D. Pedro Gastão, neto da Princesa Isabel e um dos maiores colaboradores do museu. Com a presença dos filhos do príncipe, haverá um grande discurso relembrando sua contribuição para o acervo. Ao final, os presentes serão convidados a visitar, gratuitamente, o museu. Eles poderão ver de perto a nova exposição, “Paisagem Petropolitana”, que contará um pouco dos 170 anos da cidade através de fotos, quadros e gravuras.

Museu Imperial de Petrópolis
Site: http://www.museuimperial.gov.br/
Endereço: Rua da Imperatriz, 220 – Centro – Petrópolis – RJ CEP 25610-320
Telefone: (24) 2245-5550
Funcionamento: de terça a domingo, das 11h às 18h (as bilheterias fecham às 17h30). Atendimento nos setores técnicos: de segunda a sexta, das 13h30 às 17h30, e na parte da manhã, mediante agendamento prévio.
Entrada: Inteira R$ 8,00. Meia entrada R$ 4,00 (estudantes, professores e maiores de 60 anos). Maiores de 80 anos e menores de 7 não pagam.

Fonte: Globo Cidadania/G1

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