Igreja no bairro de Ipioca, em Maceió/AL, aguarda há cinco anos por reforma

foto: Sandro Lima

Fiéis do bairro de Ipioca, no Litoral Norte de Maceió, deixaram há anos de ouvir o sino da Igreja de Nossa Senhora do Ó bater. Foi lá que Marechal Floriano Peixoto, o segundo presidente da República, foi batizado.

O motivo é que, com o passar do tempo, a estrutura da construção já não é mais a mesma de sua fundação em 1627, e desde 2008, o prédio espera para ser reformado, mas a verba sumiu.

Características originais vão se perdendo com o tempo para dar lugar aos artigos e objetos improvisados oferecidos pela própria comunidade do bairro.

O que não falta são infiltrações, rachaduras em toda a dimensão da igreja, mofo, mato, altares ruídos com risco aparente de desabar, madeiras tomadas de cupim, bichos peçonhentos, sistema elétrico e telhado comprometidos pela ação do tempo, enfim, é vasta a lista de problemas denunciados por moradores e lideranças comunitárias de Ipioca.

De acordo com o líder comunitário do bairro, Jasiel Pontes, a verba aprovada por emendas parlamentares destinadas pelo Ministério da Cultura, “já teria sido garantida desde 2008, porém ninguém viu ainda a cor do dinheiro”.

“O Iphan [Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional] aguarda este recurso para poder dar início à execução da obra, mas até agora nada. O órgão depende da Secretaria Estadual de Cultura Alagoas para começar. O que sabemos é que chegou em 2008 o valor de R$ 300 mil e, em 2010, R$ 1 milhão e 500 mil, que podem voltar”, revelou Jasiel Pontes.

Perdeu fiéis

Dona Maria de Lourdes da Silva, moradora de Ipioca há mais de 30 anos, disse que faz algum tempo que não frequenta mais as missas com medo de o teto da Igreja de Nossa Senhora do Ó desabar sobre a sua cabeça. Ela diz que percebeu que os fieis estão migrando para outras igrejas e até outras religiões diante do caos existente no único patrimônio histórico de Ipioca.

Jasiel Pontes, líder do bairro, avisou que na próxima semana, provavelmente na segunda-feira, o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil farão uma vistoria no prédio para uma possível interdição. “O padre Manoel Calado já frisou que vai fazer as missas aos domingos no meio da rua, mas não deixará de fazer”, alegou.

Segundo ele, o número de fieis caiu após o comprometimento da estrutura da igreja, sobretudo no período de chuva. “O que antes era lotado passou a ficar quase vazio, diante do medo da população”, enfatizou, lembrando que antes a igreja tinha cerca de 400 frequentadores por missa, hoje o total não passa de 150.

“As características estão se perdendo aos poucos. Alguns objetos já foram levados como imagens, sino, âmbula, cálice, entre outros, para o museu em Marechal Deodoro”, declarou Jasiel.

A Associação de Moradores do Bairro de Ipioca informou que já pensa em acionar o Ministério Público Estadual para acompanhar o caso. O líder comunitário disse ainda que vereadores de Maceió abraçaram a causa, como Silvânia Barbosa, Silvio Camelo e Dudu Ronalsa. O deputado federal Givaldo Carimbão também acompanha a situação da Igreja Nossa Senhora do Ó.

Nota da Secult

A Secretaria de Estado da Cultura (Secult) Alagoas enviou um comunicado oficial sobre a situação da igreja: “o convênio celebrado entre o Ministério da Cultura (MinC) e Secretaria de Estado da Cultura (Secult) para a obra de restauro da Igreja Nossa Senhora do Ó é da ordem de R$ 300 mil. Quando o recurso foi liberado em 2012, a planilha inicial da obra precisou ser atualizada e se encontra no MinC para aprovação; para dar continuidade ao processo licitatório”.

fonte: Tribuna Hoje

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