O desafio de preservar a beleza dos azulejos históricos de Belém

Ao passear pelos casarões dos bairros da Campina, Comércio e Cidade Velha é impossível não deslumbrar-se com os palacetes do período áureo de Belém.  A beleza dos azulejos que compõem as fachadas desses prédios históricos encanta os olhares de quem passa por ali. Mas o que fazer quando há um risco de desaparecimento progressivo desses objetos? A terceira reportagem do UFPA em Série: Patrimônio irá mostrar o que pode ser feito para preservar esses azulejos e o trabalho de alguns projetos que realizam sua restauração aqui na região. Leia a seguir…

Para quem pretende visitar o centro histórico de Belém, além de passear entre os grandes palacetes e construções do período áureo da capital, poderá perceber a beleza e também a fragilidade dos azulejos portugueses. O clima, o descaso e os altos custos para manutenção desses azulejos somam um grande desafio para sua preservação.

Belém possui azulejos com mais de cem anos e muitos estão degradados. Somente alguns deles estão em perfeito estado de conservação. Por isso conhecer seus materiais e descobrir técnicas de restauração que sejam mais duráveis e acessíveis se torna tão importante.

Lacore – É neste contexto que o Laboratório de Conservação, Restauração e Reabilitação da UFPA (Lacore), tem suas atividades voltadas para a atividade de pesquisa visando à produção de conhecimento tecnológico especializado na salvaguarda do patrimônio arquitetônico e urbanístico. Defende a conservação dos azulejos históricos com base no manuseio de reagentes químicos, análises microscópicas e preparação de amostras para análises instrumentais.

Parceria – O grupo trabalha em parceria com outros laboratórios científicos da UFPA no desenvolvimento de técnicas de restauração e conservação preventiva. Trata-se de um laboratório de pesquisa e extensão, que visa à conservação e restauração de bens culturais móveis e imóveis e na iniciação científica.

O laboratório desenvolve três projetos para a preservação dos azulejos em Belém: Patrimônio Azulejar Setecentista de Belém: subsídios para a conservação e restauração dos azulejos do Colégio Santo Antonio; Ciência da Conservação e da Restauração na Amazônia: subsídios para a salvaguarda do Cemitério Nossa Senhora da Soledade; e Analise e concepção do espaço construído na Amazônia, este último envolve diferentes frentes de pesquisa e uma delas é voltada para a questão do patrimônio histórico.

Interdisciplinaridade – Todos estes projetos de preservação de azulejos são coordenados pela professora Thaís Sanjad, e fazem parte das investigações científicas do Grupo de Pesquisa de Mineralogia e Geoquímica Aplicada da Universidade. Atuam de forma interdisciplinar envolvendo as áreas de engenharia, tecnologia, geologia, química e biologia, e ainda em correlações específicas com a história, artes visuais, geografia, entre outras. Mantém parcerias com o Grupo de Mineralogia e Geoquímica Aplicada, do CNPq, o Núcleo de Tecnologia da Preservação e Restauração – NTPR/ UFBA, o ICOMOS Brasil e o Museu Paraense Emílio Goeldi.

Valorização

O principal objetivo das pesquisas é a revalorização das fachadas na capital paraense.  Cada projeto é voltado para uma finalidade, tais como identificação, possibilidades de fabricação de réplicas e técnicas de restauração apropriadas ao nosso clima. “Os azulejos históricos documentam nossa historia e nossa cultura. A cidade de Belém tinha no século XX a maior quantidade de azulejos diferentes nas fachadas das edificações, maior ate mesmo que São Luis, conhecida pelos seus casarões azulejados. Hoje, após inúmeras perdas, esses azulejos correm o risco de desaparecer” afirma Thaís Sanjad.

Segundo Thaís Sanjad, o Lacore busca a interdisciplinaridade da tecnologia da conservação e da restauração, de modo a proporcionar um conhecimento tecnológico básico ao profissional arquiteto e urbanista para atuar na salvaguarda do patrimônio edificado e urbanístico, além das pesquisas relacionadas às intervenções em sítios históricos, visando à reabilitação de áreas de preservação arquitetônica, urbanística e cultural.

“As próximas pesquisas almejam a área da conservação e restauração por meio de investigação acerca da caracterização dos materiais, seus processos de degradação e as técnicas mais adequadas a sua conservação, aliadas a realidade amazônica; a reabilitação urbana em áreas de interesse a preservar; e produção de materiais, entre outros”, finalizou.

Via Universidade Federal do Pará – UFPA

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