O lado contista de Rodrigo Melo

Sim, Rodrigo Melo Franco de Andrade também foi autor de contos. Intitulado Velórios, seu único livro de ficção – que apresenta variações sobre o tema da morte, sempre em tom de humor – figura entre os textos significativos do Modernismo.

Como revela a pesquisa de Teresinha Marinho, coordenadora do livro Rodrigo e Seus Tempos, o primeiro dos oito contos surgiu depois do autor comparecer ao enterro. Contando o que presenciara ao seu grande amigo e compadre poeta Manuel Bandeira, este sugeriu que escrevesse o fato narrado. Alcântara Machado lhe pediu, na ocasião, uma colaboração para a revista que fundara e Rodrigo enviou-lhe o conto Enterro de seu Ernesto. Por incentivo de Prudente de Morais Neto e Manuel Bandeira, escreveu outras narrativas, todas girando em torno de fatos do cotidiano ligados à morte.

O livro publicado em 1936 – mesmo ano em que recebeu o convite do ministro Gustavo Capanema para chefiar o SPHAN – foi custeado pelo próprio Rodrigo. Porém, em vida, além de não facilitar a distribuição da primeira edição, não permitiu uma nova tiragem, motivo pelo qual a segunda edição só veio aparecer em 1974, cinco anos após a sua morte.

Trinta anos depois, em 2004, a editora Cosac & Naify publicou uma nova edição de Velórios, acrescida de textos, cartas e artigos de ilustres pensadores como Mário de Andrade, Antonio Candido, Manuel Bandeira e Sérgio Buarque de Holanda. Em 2012, a Confraria dos Bibliófilos do Brasil lançou uma reedição de luxo de apenas 351 exemplares, feitos de forma artesanal, com ilustrações da artista mineira Yara Tupinambá e com uma pequena Introdução sobre os contos de autoria da filha de Rodrigo, Clara de Andrade Alvim.

Os contos – D. Guiomar, Martiniano e a campesina, Quando minha avó morreu, Seu Magalhães suicidou-se, O enterro de Seu Ernesto, Iniciação, O Príncipe dos Pensadores e O Nortista – reunidos na obra Velórios serão publicados, durante esta semana, nos destaques das noticias divulgadas pelo IPHAN. A editora Cosac & Naif autorizou, gentilmente, a reprodução dos oito contos, na íntegra, neste espaço. Desta forma, uma obra pouco conhecida de Rodrigo Melo Franco de Andrade poderá será lida por seus admiradores e pelo público em geral.

Leia  hoje, o conto D. Guiomar.

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