Eram as telhas feitas “nas coxas” das escravas ?

O artigo do arquiteto Prof. José La Pastina Filho (superintendente do IPHAN no Paraná), intitulado  Eram as telhas feitas nas coxas das escravas ? é imprescindível para entender este mito.

Segundo La Pastina, a comparação ocorre, pois há semelhança na forma tronco-cônica entre o formato das telhas tradicionais e a parte superior das pernas dos humanos.

Entretanto, possuindo o “know-how” de mais de três décadas restaurando as coberturas de edifícios, o autor expõe claramente, por meio de um estudo de caso, de que tal associação entre coxas humanas e telhas não passa de uma lenda histórica, sendo as telhas produzidas sobre moldes de madeira.

Para confirmar nossa convicção das inconsistências da assertiva popular – telhas feitas nas coxas dos (as) escravos (as) – tomamos as medidas das coxas de um homem de 1,80m de altura e verificamos que, usando-a como molde, só seria possível a fabricação de uma minúscula telha de 36cm de comprimento. Sem maiores preocupações com aspectos de anatomia humana, se estabelecermos uma simples regra de três, poderemos verificar que, para fabricar uma telha de 77 cm, precisaríamos contar com um escravo de 3,95m de altura. Além disto, em termos de otimização de força de trabalho, mesmo numa sociedade escravocrata, teríamos uma perda substancial na força de trabalho: um escravo imobilizado, com lâminas de barro sobre suas duas coxas, e pelo menos dois outros para remover cada uma delas e transportá-las ao estaleiro.” (La Pastina Filho, 2006).

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