Povo shanenawa apresenta seu patrimônio imaterial para Caravana de Cultura e Humanização

Edna Shanenawa convidou Francis Mary e equipe da Caravana de Cultura para conhecer os fazeres da Aldeia Morada Nova (Foto: Assessoria FEM)

Uma das ações da oficina de educação patrimonial que faz parte do projeto Caravana de Cultura e Humanização se refere à pesquisa sobre o patrimônio cultural imaterial (veja box abaixo). Esse estudo é motivado com a ampla participação da comunidade. Assim aconteceu em Feijó, a partir do convite feito à equipe da Caravana pela liderança indígena Edna Shanenawa, para conhecer de perto a cultura daquele povo, o dia a dia da Aldeia Morada Nova. O encontro se deu na quarta e quinta-feira, 18 e 19.

O grupo coordenado por Francis Mary Alves de Lima, presidente da Fundação de Cultura Elias Mansour (FEM) subiu o Rio Envira de barco até a aldeia. Da cidade até lá são apenas quinze minutos. A pesquisa teve à frente Irineida Nobre, historiadora do Departamento de Patrimônio Histórico e Cultural (DPHC) da FEM.

Edna Shanenawa recebeu todos em sua casa. Ao começar a entrevista, fez questão de apresentar seu nome indígena: “Me chamo Phashaya, que significa “mulher curandeira”. Na minha época não era permitido o registro. Hoje, com as políticas para o nosso povo, é diferente, e os jovens podem ser registrados com seus nomes. Mas ainda luto pra ter o meu ”, disse.

Em sua casa, Edna falou sobre as manifestações culturais de seu povo. (Foto: Assessoria FEM)

Ainda, Edna falou sobre a história, a cultura, a luta pela terra, a cosmologia e rituais de seu povo. Uma das manifestações que foram revitalizadas nos últimos tempos, segundo relata,  é o Matxu.

“É a celebração com a caiçuma (bebida tradicional feita de macaxeira), com cantos e danças do nosso povo. Ocorre em setembro, e estava esquecido. Nós conseguimos trazer de volta”, disse Edna, pontuando que outro dos projetos que estão sendo realizados é a pesquisa para resgatar uma antiga expressão de seu povo: a pintura nos lábios com o jenipapo.

“Com sete anos, nossos lábios eram tatuados com jenipapo e ficava até à morte. Nos homens, em cor mais forte. Estamos buscando saber como era feito, para que cada vez mais nossa cultura se fortaleça”, disse.

O encontro teve ainda um passeio pela aldeia. Além das famílias, a sede da cooperativa e a Escola Estadual Indígena Tekahayne Shanenawa foram visitadas. “As comunidades indígenas ganharam muito com a educação diferenciada. É uma reivindicação e luta nossa. Mas, sabemos que isso tem a ver também com os governos, quando trabalham pelos povos indígenas”,  comenta Edna. A escola possui 150 alunos e é um espaço do encontro de saberes.

O grupo ainda teve um momento com os jovens compositores indígenas. Os músicos apresentaram canções autorais na sua língua.  “Elas falam de saudade e de amor. Vocês vieram e já estão indo, e a gente já sente saudades”, explica Naintwa, compositor da aldeia.

As pinturas corporais

Tyzã, 17 anos, é exímia na arte de pintura corporal. Edna a chamou para apresentar os desenhos e falar sobre o significado de cada um deles. “O nosso nome verdadeiro é Shanenawa. Nossa tradição não pode morrer. Esses desenhos são a vida e a história do nosso povo”, disse a jovem índia.

Para Francis Mary, esse é apenas o início de um trabalho de pesquisa que servirá para nortear ações na construção de uma política que respeite cada vez mais a diversidade cultural. “Essas vivências são maravilhosas. É uma troca de conhecimentos que une a tradição e a modernidade. A Caravana tem proporcionado esses momentos e o importante a dizer é que as comunidades é que são os agentes principais dessa construção. Estamos de alma lavada com esse aprendizado”, ressalta.

Via Agência Noticias do Acre

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