Primeira reunião do Conselho Consultivo do IPHAN em 2014 avalia bens culturais do Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo

O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural estará reunido no próximo dia 15 de maio, na sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em Brasília. A pauta da 75ª reunião foi montada com dois temas. O primeiro, trata da continuidade da Rede de Patrimônio no Piauí. Nesta temática, serão avaliadas a proposta de registro como Patrimônio Cultural Brasileiro da Produção Tradicional e Práticas Socioculturais Associadas à Cajuína no estado, associada ao patrimônio rural, com a possibilidade de tombamentos de Estabelecimentos das Fazendas Nacionais do Piauí: Fábrica de Laticínios, em Campinas do Piauí, e Estabelecimento Rural São Pedro de Alcântara, em Floriano.

Com foco no segundo tema, os conselheiros avaliarão as propostas de tombamento da Casa Grande e Tulha da antiga Chácara do Paraíso das Campinas Velhas, em Campinas (SP), e do Sítio da antiga fazenda de Santo Inácio de Campos Novos, do Distrito de Tamoios, em Cabo Frio (RJ).  Acesse aqui a pauta da 75ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural.

Produção Tradicional e Práticas Socioculturais Associadas à Cajuína
O consumo da cajuína é um ato de degustação, geralmente acompanhado de comentários e comparações sobre as qualidades daquela garrafa da bebida, ressaltando sua cor, doçura, cristalinidade, leveza ou densidade, qualidades que derivam tanto do caju escolhido, quanto das técnicas de cada produtor. Mesmo sendo uma bebida, ela assume o simbolismo de alimento e poderá ser inscrita na mesma tradição dos doces, bolos, biscoitos e outros saberes prendados cultivados para abastecimento do lar no Nordeste. A cajuína, ao mesmo tempo em que é valorizada como produto de forte apelo regional e cultural, reforça os sentidos de pertencimento e identidade dos piauienses e brasileiros. Leia mais

Fazendas Nacionais do Piauí
O IPHAN propõe o tombamento conjunto do Estabelecimento Rural São Pedro de Alcântara e da Fábrica de Laticínios porque ambos decorrem das antigas Fazendas Nacionais do Piauí que, originalmente eram grandes extensões de terras doadas aos primeiros desbravadores, no Brasil colônia. A proposta de tombamento está relacionada com o processo de ocupação decorrente da utilização das Fazendas Nacionais a partir de projetos de aproveitamento da mão-de-obra remanescente da escravidão. As duas exemplos emblemáticos do patrimônio edificado no Brasil entre o final do século XIX e começo do XX, tanto da arquitetura tradicional piauiense, que se utiliza de materiais e técnicas locais, quanto da arquitetura industrial implantada no interior do país em pleno século XIX. Leia mais

Sítio da antiga fazenda de Santo Inácio de Campos Novos
O conjunto é remanescente de uma antiga fazenda jesuíta fundada no século XVII (1648), e está implantado sobre um sambaqui, característica do padrão de implantação dos conjuntos jesuíticos litorâneos da primeira fase de colonização, onde o local elevado permitia ampla visualização e boas condições de defesa. A casa principal, a capela e o cemitério anexo, são raros exemplares de arquitetura rural jesuítica, construídos por volta de 1690. Com a expulsão dos jesuítas do Brasil (1759), o sítio sofreu diversas intervenções, mas que não comprometem a preservação de seus traços. Leia mais

Casa Grande e Tulha da antiga Chácara do Paraíso das Campinas Velhas
As instalações da Antiga Chácara do Paraíso das Campinas Velhas foram construídas em taipa de pilão e estão ainda bem conservados. A Casa Grande é um exemplar típico da arquitetura rural paulista do século XVIII. O conjunto se relaciona com os processos de ocupação territorial do interior de São Paulo e também com processos econômicos como os do açúcar e café. A chácara ainda testemunhou a introdução de novas tecnologias relacionadas à produção rural, em especial do café, que teve em Campinas um dos principais centros, contribuindo com as fortes transformações econômicas, tanto regionais quanto nacionais.

O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural
O Conselho que avalia os processos de tombamento e registro é formado por especialistas de diversas áreas, como cultura, turismo, arquitetura e arqueologia. Ao todo, são 23 conselheiros, que representam o Instituto dos Arquitetos do Brasil – IAB, o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios – Icomos, a Sociedade de Arqueologia Brasileira – SAB, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama, o Ministério da Educação, o Ministério das Cidades, o Ministério do Turismo, o Instituto Brasileiro dos Museus – Ibram, a Associação Brasileira de Antropologia – ABA, e mais 13 representantes da sociedade civil, com especial conhecimento nos campos de atuação do IPHAN.

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