PAC Cidades Históricas entrega ícones da arquitetura paraense em Belém

Prestes a completar 400 anos, a cidade de Belém, no Pará, receberá, no dia 23 de março, a inauguração da primeira obra do PAC Cidades Históricas no Estado: a revitalização do centenário Mercado de Peixe, que faz parte do conjunto arquitetônico e paisagístico do Ver-O-Peso, tombado pelo Iphan em 1977. O programa é uma das frentes de atuação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Na ocasião, serão entregues também as obras da Igreja do Carmo; da Capela da Ordem Terceira; e da pequena Capela da Adoração.

As quatro construções, que contam a história de ocupação da região, agora, poderão continuar a povoar a memória de seus habitantes, em um momento, no qual o desafio da preservação patrimonial não é só o de manter estruturas e sim reforçar vínculos afetivos e as relações simbólicas, integrando-os, cada vez mais, a vida social da cidade.

mercado-do-peixe1O Mercado de Peixe
O poeta paraense Max Martins diz em um de seus poemas que “a balança pesa o peixe, a balança pesa o homem”, expressando, assim, imagem lírica de que ali não é apenas um local onde se vende mercadorias, mas, sobretudo, um lugar de vida, de trocas simbólicas, da gente que passa por ali, desde o início do século XX.

Inaugurado em 1º de dezembro de 1901, o Mercado, com estrutura de ferro vinda de Londres e Nova Iorque, foi montado pelos engenheiros Bento Miranda e Raimundo Viana. Consolidou-se como o principal cartão postal da cidade e um exemplar artístico da Belle-Époque, período histórico que representou o reflexo da riqueza trazida pelo Ciclo da Borracha, de acordo com a historiadora Maria Nazaré Sarges.

Em janeiro de 2010, o Iphan deu início à obra de Restauração e Conservação de Mercado de Ferro e do Mercado de Peixe do Ver-o-Peso, advinda de uma demanda dos próprios feirantes diante de graves problemas de conservação do edifício. O projeto consistiu na restauração e conservação do edifício com a execução de novas instalações elétricas, hidrosanitárias, proteção contra as descargas atmosféricas e sistema de câmeras; construção de câmara frigorífica; banheiros; adequação às normas da vigilância sanitária; e novo sistema de cobertura. O processo de restauração foi realizado em duas etapas, de maneira que os peixeiros e lojistas não tivessem que ficar sem trabalhar no período.

O valor total dos investimentos, por meio do PAC Cidades Históricas, foi de, aproximadamente, R$ 8 milhões. A primeira etapa da obra foi concluída em 2014, com entrega de 15 lojas, um PM Box e os 30 boxes dos peixeiros, 50% da cobertura, quadro de energia e duas torres. A ação beneficiou diretamente cerca de 231 famílias dos trabalhadores e permissionários que trabalham no Mercado, além das cerca de 4 mil pessoas que frequentam o local diariamente.carmo-belém

Igreja do Carmo
As construções de Arte Sacra no Pará se deram com a chegada de missões religiosas que vinham para atuar na evangelização dos indígenas e dos primeiros habitantes e capitanear a ocupação da região amazônica, durante o século XVII.

A Ordem Carmelita do Maranhão se instala em Belém ano de 1926. Na década de 1620 teve início a primeira construção do templo, atual Igreja do Carmo. A segunda edificação teria sido inaugurada em meados de 1721. A fachada de pedra, importada de Lisboa adossada à igreja por volta de 1756, causou problemas estruturais ao edifício, quando então se contratou o arquiteto Antônio Landi para solucionar o problema.  A intervenção de Landi foi definitiva, formada pela Capela-mor, remanescente da segunda igreja, com o retábulo entalhado em madeira e o altar com frontal de prata lavrada que receberam a nave e os retábulos laterais projetados pelo italiano, a fachada de cantaria também foi preservada.

A Capela da Ordem Terceira, cujo traço também é atribuído a Landi, foi construída anexa à construção do Carmo. Nessa, destacam-se o retábulo-mor entalhado em madeira e o conjunto de imagens sacras barrocas, esculpidas em madeira e relacionadas aos Passos da Paixão de Cristo. À frente, tem-se ainda a pequena capela da Adoração, dedicada á Nossa Senhora de Lourdes. A fachada de pedra permanece até os dias atuais e é única em Belém.

A partir da assinatura de um termo de cooperação com a Arquidiocese de Belém, o Iphan-PA desenvolveu o projeto básico do restauro e, ainda, orientou tecnicamente o desenvolvimento do projeto executivo e a equipe responsável pelar execução da obra. A intervenção realizada na Igreja do Carmo, desde 2013, teve caráter conservativo/restaurativo, os quais possibilitaram a preservação dos elementos construtivos e artísticos integrados: pisos, forros, pinturas; púlpitos, retábulos laterais e retábulo-mor. A restauração inclui a recuperação integral da cobertura, do sistema de calhas e condutores, dos rufos. A fachada de pedra recebeu tratamento com emplastros para remoção das sujidades, com reintegração de áreas com perda.

O Iphan, no cumprimento de suas atribuições legais, associou-se às Obras Sociais da Arquidiocese de Belém e Salesianos do Carmo para viabilizar o projeto e habilitá-lo junto ao Ministério da Cultura com a finalidade de captar recursos por meio das leis de incentivo fiscal, na modalidade Mecenato. A Vale, empresa privada com grande atuação no estado do Pará, tornou-se a patrocinadora única de um projeto que, além da obra, incluía ações de comunicação e divulgação, mas foi além, contratou, diretamente, um projeto de educação patrimonial para atuar paralelamente à intervenção.

O valor total aprovado para captação foi de R$ 5.082.968, 31, que foram destinados á obra e ações de comunicação e divulgação, envolvendo convite, filme, montagem de exposição e multimídia.

Serviço:
9h – Entrega da obra de restauração da Igreja do Carmo e Capela da Ordem Terceira
Data: 23 de março de2015
Local: Praça do Carmo

17h – Entrega da obra de restauração do Mercado de Ferro do Ver-o-Peso
Data: 23 de março de 2015
Local: Mercado de Ferro do Ver-o-Peso, Av. Boulevard Castilhos França, bairro Comércio.

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