Cerimônia celebra tombamento da Canoa Costeira Dinamar

Último exemplar de embarcação que fazia parte da rotina naval do país, a Canoa Costeira Dinamar terá nesta quarta-feira, 23 de outubro, uma cerimônia para celebrar o reconhecimento como bem cultural brasileiro. Encontrada em 2009 no estado do Maranhão, o exemplar foi escolhido entre as últimas 21 canoas costeiras em atividade na Baía de São Marcos. Assim, foi restaurada e tombada no ano de 2010 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) para garantir sua preservação e valorização.

A ação do Instituto só foi possível graças à dedicação voluntária de pessoas e organizações que mantém ativa, com muito esforço, algumas dessas embarcações. É o caso do proprietário da Canoa Dinamar, Mestre Martinho Alves, que receberá às 10h de amanhã, no Sítio Tamancão, Alto da Esperança, a solenidade organizada pelo IPHAN no Maranhão (IPHAN-MA), com apoio do Centro Vocacional Estaleiro Escola e da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia. Também estarão presentes, entre outras autoridades, o Capitão dos Portos da Marinha e o Secretário de Ciência e Tecnologia, de Cultura e de Turismo maranhense.

Essas embarcações, apesar de frágeis, ainda guardam excecionalidades tipológicas e construtivas, além de forte significado simbólico e afetivo local; fazem parte das paisagens e são, muitas vezes, ícones importantes da cultura regional. Os cúteres ou canoas costeiras são um dos maiores barcos tradicionais do Brasil.

O convés é fechado, arrematado por cabine rasa. Na proa há um alongado gurupés (pau de giba) e a bita (frade), que usualmente apresenta forma de cabeça humana. O formato da vela, com cores vivas, é dado pela forte inclinação da carangueja, que, visualmente, converte sua forma quadrada em triangular. Quando navegam, essas embarcações impressionam: inclinam-se suavemente com o vento, enquanto colorem a Baía de São Marcos com as diferentes tonalidades de seus cascos e velas.

Ainda hoje é possível encontrar exemplares que possuem o fundo do casco constituído por uma peça única, acrescida de outras tábuas que dão a forma final ao modelo, porém esta prática foi abolida por escassez de árvores, junto à costa, de tamanho e qualidade adequados.

Os processos de tombamento de embarcações tradicionais no Brasil
Em 2008, o Iphan lançou o projeto Barcos do Brasil cujo objetivo central é a preservação e a valorização do patrimônio naval brasileiro por meio de ações de proteção de embarcações, paisagens e acervos históricos e fomento às atividades relacionadas com os barcos tradicionais – pesca, culinária, artesanato, festejos, transporte de pessoas e mercadorias e outras manifestações.

A partir da identificação de localidades e embarcações singulares, muitas vezes em risco de desaparecimento ou em contextos vulneráveis, o Iphan busca estimular o monitoramento de alguns barcos tradicionais, com o intuito de acompanhar a evolução de sua utilização econômica, seu estado de conservação e preservação e evitar seu desaparecimento.

Como resultado do inventário de varredura do patrimônio naval e dos cadastramentos e diagnósticos quantitativos e qualitativos das embarcações e dos contextos navais de maior relevância e de maior vulnerabilidade, realizado pelo projeto Barcos do Brasil, o IPHAN apresentou os primeiros processos de tombamentos de embarcações tradicionais brasileiras.