Arqueologia no Acre : Museu Universitário da UFAC e Iphan lançam edital para Projeto Sítio-Escola

A Universidade Federal do Acre, por intermédio do Museu Universitário, e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, na forma do presente edital, tornam pública a abertura de inscrições para a seleção de alunos para participarem do projeto “Pesquisa e Formação nos Sítios Arqueológicos Espinhara e Sol de Campinas do Acre, Municípios de Porto Acre e Senador Guiomard, Estado do Acre”, sítio-escola a ser realizado no período de 03 a 28 de novembro de 2014.

Os objetivos do projeto são a formação inicial de estudantes e pesquisadores na área de arqueologia através de atividades teóricas e práticas de campo e de laboratório, relacionadas à escavação dos sítios arqueológicos Espinhara e Sol de Campinas do Acre, à curadoria de seus materiais e à socialização do Patrimônio Arqueológico com as comunidades locais, considerando os princípios do ensino, da pesquisa e da socialização do conhecimento em todas as etapas da pesquisa arqueológica; desenvolver estratégias que permitam a inclusão dos estudantes em todas as fases da pesquisa arqueológica, da documentação à socialização do conhecimento; formação de um grupo de estudantes interessados na área de arqueologia, para que estejam tecnicamente capacitados para a participação em pesquisas arqueológicas, em especial, no estado do Acre.

As inscrições ocorrerão no período de 29 de setembro a 10 de outubro de 2014 na Sala de pesquisa do Acervo Histórico do Museu Universitário da UFAC (2º piso da Biblioteca Central da UFAC), das 08h00 às 12h00, de segunda à sexta-feira.

O Edital Completo você pode ler aqui em PDF.

Iphan discute a preservação do acervo arqueológico da Usina de Samuel, em Rondônia

Reunião-UHE-Samuel

Reunião técnica ocorreu nesta semana em Brasília e reuniu membros da Instituição e da Eletronorte. O objetivo é uma aproximação entre ciência e sociedade

Nesta semana, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), por meio da Superintendência em Rondônia, se reuniu no Centro Nacional de Arqueologia (CNA/IPHAN) em Brasília para propor a preservação do acervo arqueológico originado das pesquisas realizadas durante a construção da Usina Hidrelétrica de Samuel, localizada no município de Candeias do Jamari, em Rondônia.

Membros do Iphan e representantes da Eletronorte, incluindo o coordenador de pesquisa da época, o arqueólogo Eurico Theófilo Miller, discutiram os parâmetros necessários para o tratamento ideal do material arqueológico resgatado durante as pesquisas, que totaliza cerca de 200 mil fragmentos, alguns datados de aproximadamente 8 mil anos antes do presente.

Todo o patrimônio arqueológico proveniente da Usina de Samuel encontra-se alocado dentro do próprio empreendimento, local onde também existe uma pequena área “musealizada”, que contém uma amostra do material arqueológico identificado durante as escavações.

“Por se tratar de um patrimônio cultural do povo brasileiro, e, necessariamente, carecer de cuidados específicos para a sua conservação, a reunião entre Iphan e Eletronorte buscou meios para oportunizar a curadoria do acervo. Outro ponto discutido foi a retirada do material arqueológico das dependências da Usina, propiciando um contato mais facilitado entre pesquisadores, sociedade e o patrimônio arqueológico”, destacou o Superintendente do Iphan em Rondônia, Beto Bertagna.

Preservação da memória

De acordo com o arqueólogo do Iphan em Rondônia, Danilo Curado, a curadoria, seguida da retirada do acervo arqueológico das dependências da Usina de Samuel, vai proporcionar o real sentido do material arqueológico -“o de espelhar parte do passado humano”. “Por anos o acervo arqueológico foi mantido dentro da Usina de Samuel, causando um afastamento entre pesquisadores e o acervo. Desse modo, todo o potencial científico do material não fora utilizado, visto que existem dificuldades naturais em adentrar em usinas hidrelétricas, pois tratam-se de áreas de segurança. Havendo o tratamento de limpeza e catalogação e, posteriormente, o encaminhamento para alguma reserva técnica, o acervo arqueológico de Samuel retornará as suas funções científicas e, acima de tudo, sociais.”, sugere Curado.

Ainda segundo o arqueólogo do Iphan, a maior justificativa para a escavação arqueológica é o resgate da história por meio da cultura material. “Assim, um acervo arqueológico deve ser mantido próximo às comunidades e para elas. É preciso atingir o patamar social”, enfatiza.

Para o superintendente Beto Bertagna, o tratamento e a alocação do acervo arqueológico da Usina de Samuel em outra instituição representará um ganho sem igual para a sociedade científica e a comunidade em geral. “Um resgate arqueológico no âmbito do licenciamento ambiental justifica-se, inicialmente, por tratar-se de questões legais quanto ao patrimônio cultural brasileiro”, finaliza.

A Eletronorte se compromissou em contratar uma equipe especializada no tratamento de materiais arqueológicos, além de manter a consultoria constante do arqueólogo Eurico Miller, por acreditar que o pesquisador é uma “memória viva” de toda a pesquisa arqueológica realizada na Usina de Samuel na década de 1980. Em concomitância, a superintendência do IPHAN em Rondônia manterá ações de fiscalização sobre todas as atividades de curadoria, além de auxiliar em questões técnicas quando se apresentarem necessárias.

Histórico

Durante a construção da Usina de Samuel, instalada no município de Candeias do Jamarí/RO, ainda na década de 1980, foram efetivadas pesquisas intensivas de arqueologia, todas coordenadas pelo arqueólogo Eurico Theófilo Miller. Durante os anos de 1987 e 1988, Miller e sua equipe resgataram 101 sítios arqueológicos, totalizando um acervo de quase 200 mil artefatos arqueológicos.