Conselho Consultivo do IPHAN vai avaliar tombamento de quatro novos bens nesta quarta (25)

A lista de bens protegidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) poderá aumentar nesta quarta-feira, 25 de novembro, durante a 81ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, que estará reunido na sede do instituto, em Brasília. Na pauta estão as propostas de tombamento das estações telegráficas construídas pela Comissão Rondon Vilhena e Ji-Paraná (RO), o Conjunto arquitetônico e paisagístico e acervo de bens móveis do Terreiro Omo Ilê Aboula (BA), o tombamento dos Remanescentes do antigo Teatro de Cultura Artística (SP) e o Edifício Sede do IAB – Departamento de São Paulo (SP).

Esta é a última reunião de 2015, durante o ano o Conselho se reuniu outras três vezes. Nas ocasiões eles avaliaram diversos bens, entre eles, a prática artesanal de fazer cuias, realizada por mulheres de comunidades ribeirinhas do Baixo Amazonas (PA), a maestria do paisagismo de seis Jardins de Burle Marx, no Recife (PE), e a história, arte e beleza do parque Campo de Santana, no Rio de Janeiro (RJ).  Também estiveram na pauta o tombamento do Conjunto Arquitetônico Museu Mariano Procópio, em Juiz de Fora (MG) e da Antiga sede do Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro (RJ), além da proposta de registro com o Patrimônio Cultural do Brasil da Festa do Pau da Bandeira de Santo Antonio de Barbalha (CE).

Estações telegráficas construídas pela Comissão Rondon Vilhena e Ji-Paraná (RO)

As duas antigas estações telegráficas são um dos poucos vestígios restantes do desbravamento e ocupação da região Norte, Centro-Oeste e, em especial, em Rondônia. Ambas são consideradas testemunhas concretas de uma política específica de integração nacional, da região Norte com o restante do País e de um momento da história da tecnologia no Brasil, com o surgimento das telecomunicações.

Remanescentes do antigo Teatro de Cultura Artística (SP)

O antigo Teatro é um marco na história contemporânea das práticas artísticas do Brasil, um símbolo do movimento espontâneo da própria sociedade para o desenvolvimento de atividades culturais, na qual as iniciativas deixaram de depender do Estado com um propósito de priorizar a arte brasileira e a cultura tradicional. O valor artístico está atribuído ao Painel de afresco de Di Cavalcanti, elemento de maior destaque na fachada.

Conjunto arquitetônico e paisagístico e acervo de bens móveis do Terreiro Omo Ilê Aboula (BA)

O Terreiro Omo Ilê Aboula é um testemunho de resistência do povo de axé. É um espaço que condensa toda a ancestralidade dos antigos terreiros, tornando-se um elo fundamental entre os terreiros de culto a Egunguns fundados por africanos no século XIX e a ancestralidade afro-brasileira. E por isso, é uma casa de notório reconhecimento entre o povo de culto aos ancestrais, uma tradição que sua história fez ser restrita e pouco disseminada, em relação às outras tradições de matriz africana.

Edifício Sede do IAB – Departamento de São Paulo (SP)

O edifício se destaca no contexto da arquitetura moderna construída em São Paulo entre as décadas de 1930 e 1940, resultado de um projeto coletivo no qual ficou expresso o desejo de afirmação da arquitetura moderna, sendo emblemático nesse processo. Sua qualidade foi consagrada em publicações especializadas, sendo analisado por diversos autores que se dedicaram ao tema.

Conselho Consultivo

O Conselho que avalia os processos de tombamento e registro é formado por especialistas de diversas áreas, como cultura, turismo, arquitetura e arqueologia. Ao todo, são 23 conselheiros, que representam o Instituto dos Arquitetos do Brasil – IAB, o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios – Icomos, a Sociedade de Arqueologia Brasileira – SAB, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama, o Ministério da Educação, o Ministério das Cidades, o Ministério do Turismo, o Instituto Brasileiro dos Museus – Ibram, a Associação Brasileira de Antropologia – ABA, e mais 13 representantes da sociedade civil, com especial conhecimento nos campos de atuação do Iphan.

Serviço:

Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural
Data:
25 de novembro de 2015, das 9h às 18h
Local: Sede do Iphan – SEPS 713/913 Bloco D – Ed Iphan – Asa Sul – Brasília – DF

fonte : Ascom/Iphan

Primeiro arranha-céu da América Latina pode se tornar patrimônio cultural brasileiro

Marco da modernidade da então capital brasileira, o Edifício A Noite foi o primeiro arranha-céu da América Latina, atração turística da cidade e um mirante que competia com o Pão de Açúcar e o Corcovado. Foi construído por um grande jornal da época, A Noite, e sediou desde a fundação a mais importante emissora do país, a Rádio Nacional. É também um dos mais destacados exemplares da art déco, estilo arquitetônico característico de grande parte das edificações das décadas de 1920 a 1940 nas grandes cidades do mundo.

O nome soa exótico para os que não conhecem a história do prédio, que pode ganhar o status de patrimônio cultural brasileiro.

O prédio, de 22 andares e 102 metros de altura – o que corresponde a 30 andares de um edifício atual – está desocupado desde o final do ano passado, com a mudança, para outras instalações, da Rádio Nacional e daAgência Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). O edifício já é tombado pela prefeitura do Rio de Janeiro.

Considerado um dos primeiros jornais populares do Rio, o vespertino A Noite foi criado em 1911 por Irineu Marinho, que se afastou de sua direção em 1925 para fundar O Globo. Em 1929, já pertencente ao jornalista Geraldo Rocha, A Noite inicia a construção de seu edifício-sede na Praça Mauá. No local, existia o Liceu Literário Português, a primeira escola do país a oferecer cursos noturnos, ainda em 1854, no Império, quando nem luz elétrica havia ainda no Rio de Janeiro. Para fazer frente aos elevados custos da obra, o jornal, que havia sido de oposição, passou a apoiar o governo do presidente Washington Luís.

A edificação, em uma época em que os prédios mais altos do Rio não passavam de dez a 12 andares, causou grande impacto na população carioca. “A conclusão de cada andar era celebrada como se fosse uma vitória da raça brasileira. O Brasil finalmente entrava na era dos arranha-céus, embora o edifício, com seus 22 andares, sequer se comparava aos seus equivalentes norte-americanos”, conta o professor Milton Teixeira, estudioso da história carioca.

O projeto foi do arquiteto francês Joseph Gire, com os cálculos estruturais a cargo do engenheiro alemão Emilio Baumgart, ambos radicados no Brasil e responsáveis por várias obras importantes na cidade. Mesmo assim, lembra Teixeira, não faltaram especulações negativas durante a construção. “Falava-se que aquilo poderia cair, que o vento iria derrubar o prédio”, diz o professor.

A Revolução de 1930 não poupou o edifício que acabava de ser inaugurado, devido ao apoio do jornal A Noite à República Velha, derrubada por Getúlio Vargas. O prédio foi alvo de ataques e de um incêndio por parte dos revoltosos. Em 1933, sob nova orientação, o jornal, que ocupava os cinco primeiros pavimentos do prédio, decide criar uma emissora de rádio. Inaugurada em 1936, a Rádio Nacional ocupava os quatro últimos andares do prédio.

Mergulhado em dívidas, o grupo que detinha o controle do jornal e da rádio, além de diversas outras empresas, foi incorporado ao patrimônio da União. E assim, a Nacional, que nasceu como emissora privada, se tornou uma rádio pública.