IPHAN retoma atividades de proteção ao Forte Príncipe da Beira, em Rondônia

Forte Pr+¡ncipe 2. Foto Danilo Curado.IphanO Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), através da Superintendência em Rondônia, retomou na primeira quinzena de fevereiro o projeto de estabilização das ruínas do Real Forte Príncipe da Beira, monumento militar instalado no município de Costa Marques/RO. Os trabalhos dão continuidade às atividades iniciadas em 2007, e prevê ações para 2014 e 2015.

O Real Forte Príncipe da Beira é uma fortaleza militar do final do século XVIII, tido como uma das maiores construções portuguesas fora de Portugal. Erguida em plena floresta amazônica, é considerada uma das mais desafiadoras construções realizadas no final de 1700 no Brasil. Sua importância para a história do país e para a formatação do atual território nacional foi reconhecida por meio do tombamento no ano de 1950.

A equipe de trabalho, integrada pela engenheira do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização(DEPAM) da sede do IPHAN em Brasília/DF, Renata Ceridono Fortes e pelo superintendente substituto do Iphan em Rondônia, Danilo Curado, realizou uma vistoria técnica no Forte no último mês de fevereiro.

Para o superintendente substituto do IPHAN em Rondônia, Danilo Curado, o Instituto pretende acordar parceria técnica com o Exército, procurando viabilizar o escoramento das ruínas das edificações intramuros. “Esta é uma demanda emergencial, pois diversas paredes se encontram em desaprumo. Desta maneira, conforme os contatos iniciais com o então comandante da 17ª Brigada, General Ubiratan Poty, o Exército poderá ceder o madeiramento e disponibilizara mão-de-obra para a execução do referido escoramento e, por sua vez, contar com acompanhamento e orientação técnica do IPHAN”, afirma Curado.

Após o escoramento emergencial, ação provisória de apoio às estruturas e elementos que apresentam riscos de perda do Bem, deverão ser executadas as obras de estabilização de uma das edificações. “Considerando as dificuldades logísticas inerentes à localidade do Forte, e conforme diretrizes já apresentadas por outros técnicos no passado, e que hoje ainda entendemos ser uma forma de darmos continuidade no projeto, a proposta é a de iniciarmos com uma obra piloto, a qual servirá de parâmetro para a própria execução dos trabalhos, bem como para a apropriação dos custos e especificação técnica destes serviços”, assevera Ceridono.
Para o superintendente substituto do IPHAN em Rondônia, é necessário que ocorram parcerias em prol do monumento. “O Forte Príncipe da Beira não é tão somente um baluarte setecentista. Ele é a representação material dos esforços hercúleos que brasileiros, africanos e europeus dispuseram na Amazônia. Se a quase duzentos e cinquenta anos após sua fundação, nós sentimos hoje a dificuldade de trabalharmos no Forte, é peremptório que reconheçamos todo o suor e sangue empilhado naquelas muralhas de tapiocanga. Para tanto, tal reconhecimento decorre da retomada das atividades no patrimônio”, finaliza Curado.

O monumento

O Forte Príncipe da Beira é uma fortaleza composta de uma muralha de aproximadamente 980 metros de perímetro, erigida em taipa de formigão e protegida por cortinas de pedra tapiocanga aparelhada. Cercado por muralhas que medem 10 metros de altura, a fortaleza é basicamente constituída por uma praça central, onde existem as ruínas de quinze prédios.
Além do tombamento pela União, o Forte é tombado como patrimônio do Estado de Rondônia, sendo reconhecido por meio da Constituição estadual de 1989, artigo 264. Por se encontrar dentro de área militar, a responsabilidade fundiária compete ao Exército Brasileiro.

Forte Pr+¡ncipe. Foto Danilo Curado.Iphan

fotos: Danilo Curado

História do Forte Príncipe da Beira pode virar documentário

Com 230 anos de construção, o Forte está localizado à margem direita do Rio Guaporé – Foto: Reprodução

O Forte Príncipe da Beira, em Rondônia, uma das maiores obras edificadas pela engenharia militar portuguesa no Brasil Colonial, segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), está prestes a ter sua história contada em um documentário orçado em cerca de R$ 320 mil e produzido pelo cineasta rondoniense Emanuel Alencar.

Com 230 anos de construção, o Forte está localizado à margem direita do Rio Guaporé e foi construído ainda pela coroa portuguesa. A inauguração aconteceu em 20 de agosto de 1783 com o intuito de consolidar a ocupação na região disputada com os espanhóis.

Emanuel Alencar afirma que o documentário trará de volta muito da história do Brasil Colônia e do princípio da ocupação Amazônica. “Este patrimônio passou muito tempo escondido e hoje existem pessoas que desconhecem a verdadeira história do Príncipe da Beira e é isto que vamos resgatar”, afirma Emanuel.

O projeto já está pronto, mas aguarda a captação de recursos para o início da produção. Os recursos devem vir da iniciativa privada e pública, e serão utilizados como fonte de pesquisas em escolas e universidades.

De acordo com o cineasta, o documentário deve relatar detalhadamente as dificuldades da construção do forte, no contexto da época, além de imagens inéditas dos mais de 900 metros do perímetro do monumento.

O monumento está localizado na fronteira com a Bolívia, cerca de 25 quilômetros do muncípio de Costa Marques, no Vale do Guaporé. Atualmente o Forte é ocupado pelas Forças Armadas, embora tenha ficado mais de 40 anos em estado de completo abandono.

Via Noticiadaki.com.br