Centro Lúcio Costa seleciona 10 projetos de pesquisa de até R$ 24.000,00

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por intermédio do Centro Regional de Formação em Gestão do Patrimônio – Centro Lucio Costa (CLC) -, Centro de Categoria II sob os auspícios da UNESCO, sediado no Rio de Janeiro, lançou duas chamadas públicas voltadas a artigo e pesquisa.

Serão selecionadas propostas de artigos relacionados às estratégias de valoração de bens culturais nos países de línguas portuguesa e espanhola da América do Sul e de língua portuguesa da África e Ásia, com o objetivo de refletir sobre as apropriações dos valores universais do Patrimônio. As propostas podem ter como recorte tanto a Região como um ou mais países que a compõem, priorizando-se como área temática a Subrepresentatividade dos bens culturais como Patrimônio da Humanidade.

O CLC selecionará até 10 (dez) propostas de artigo, no valor individual total de R$ 5.000,00, buscando contemplar o conjunto dos países da Região e a adequação das propostas aos objetivos e temáticas da Chamada. Clique aqui e saiba mais.

No caso da pesquisa, serão selecionados projetos referentes a preservação e gestão do patrimônio cultural, que analisem ações e políticas realizadas por diferentes setores da sociedade de cada país (de caráter público ou privado), conforme as perspectivas cultural e histórica, nos países de línguas portuguesa e espanhola da América do Sul e de língua portuguesa da África e Ásia, tendo como áreas temáticas prioritárias as Práticas de gestão do Patrimônio da Humanidade e Panorama comparativo de políticas públicas e gestão participativa do Patrimônio da Humanidade entre dois ou mais países da Região.

O CLC selecionará até 10 (dez) projetos de pesquisa, no valor individual total de R$ 24.000,00, buscando contemplar o conjunto dos países da Região e a adequação das propostas aos objetivos e temáticas da Chamada. Saiba mais clicando aqui.

Igreja do Bacanga e Sobrado dos Belfort são restaurados em São Luis/MA

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Tombada pelo Departamento de Patrimônio Histórico, Artístico e Paisagístico do Maranhão, órgão da Secretaria de Estado da Cultura, em 1987, a Igreja de São Joaquim do Bacanga data do século XVII, quando os jesuítas fundaram na localidade um aldeamento para catequese dos índios. Com a criação da Freguesia de São Joaquim do Bacanga, foi reconstruída em 1848, durante as obras do futuro Canal do Arapapaí.
A Vila Maranhão é uma comunidade rural muito antiga, que mantém, por meio da tradição, uma relação afetiva muito forte com a sua igreja matriz. Em 2013, a Superintendência do Iphan no estado recebeu os representantes da comunidade, que entregaram um abaixo-assinado solicitando o apoio da instituição para as obras de restauração da igreja.
Apesar do tombamento ser estadual, o Iphan, por meio de uma compensação ambiental na área da Vila Maranhão, pôde destinar recursos de dano ambiental causado ao patrimônio arqueológico para a restauração de um bem cultural de grande importância para a comunidade impactada. A obra foi realizada em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura.
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Igreja de São Joaquim do Bacanga, na Vila Maranhão, zona rural de São Luís. (Fotos: Gabriela Sobral)

O Sobrado dos Belfort, prédio tradicional do centro histórico de São Luís, no Maranhão, está de cara nova. Erguido em 1756 pelo empresário irlandês Lourenço Belfort, o sobrado teve a fachada de azulejos totalmente restaurada com recursos do PAC Cidades Históricas. A entrega da obra, na qual foram investidos R$ 572,5 mil, foi feita na manhã desta quinta-feira (26) pela presidenta do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Jurema Machado.
O evento faz parte da Caravana da Cultura, projeto lançado pelo Ministério da Cultura com o objetivo de estreitar relações e conhecer in loco as principais demandas de artistas, gestores, produtores e fazedores de cultura do Brasil.
26.3 belfort 2Localizado na esquina do Beco do Quebra Costa com o Largo do Carmo, este sobrado de três pavimentos e mirante foi erguido por Belfort durante o governo de Melo e Póvoas, sobrinho do Marques de Pombal, para servir de moradia a sua família. No térreo, o empresário instalou uma das mais importantes casas comerciais da província do Maranhão no século XVIII.
Homem de notável atividade, proprietário e fundador da Fazenda Kylrue, localizada às margens do rio Itapecuru, Lourenço Belfort ocupou cargos importantes na então província: almotacel (fiscal de pesos e medidas), em 1744, 1750 e 1754; vereador, em 1753; e juiz de fora interino, em 1759. Belfort também exerceu altas funções militares, obtendo o posto de mestre de campo, para o qual foi nomeado em agosto de 1768.
Belfort foi o precursor da criação do bicho da seda no Maranhão, dedicando-se também, em larga escala, à cultura de arroz, anil e algodão durante os anos de atuação da Companhia do Grão Pará e Maranhão. Empresário arrojado, amigo do Marques de Pombal e do seu sobrinho governador da Província do Maranhão, instalou, ainda, a primeira fábrica de couros atanados no estado.
No século XIX, o Sobrado dos Belfort passou para o Barão de Coroatá, que em seguida o vendeu ao jornalista Vitor Lobato. O prédio, então, passou a sediar a redação do jornal Maranhense A Pacotilha. No século XX, foi adaptado para a instalação do Hotel Ribamar e, depois, a propriedade passou para a Santa Casa de Misericórdia.
O Iphan recuperou toda a parte estrutural do edifício em 2004 e, agora, em função da requalificação urbanística da Praça João Lisboa e do Largo do Carmo, dos quais o sobrado é um dos principais destaques, realizou a restauração da sua imponente fachada de azulejos.

O Sobrado dos Belfort, prédio tradicional do centro histórico de São Luís, no Maranhão, está de cara nova. (Fotos: Gabriela Sobral)

O Sobrado dos Belfort, prédio tradicional do centro histórico de São Luís, no Maranhão, está de cara nova. (Fotos: Gabriela Sobral)

Deu na Zero Hora : Tombamento de imóveis particulares acende polêmica sobre o patrimônio histórico no RS

Foto: Diogo Zanatta

No salão onde poderosos perderam fortunas com jogos e mulheres, presos foram interrogados durante o regime militar. Construído na década de 1930 e conhecido como Cassino da Maroca, um prédio de Passo Fundo é o cerne de uma ação do Ministério Público que se arrasta há sete anos.

O órgão quer tombar como patrimônio histórico o lugar que sediou um luxuoso cabaré, o Departamento de Ordem Política e Social (Dops), uma delegacia e um sindicato. Hoje, a construção que estampa os anos de abandono na pintura descascada e nas madeiras em decomposição é exemplo de uma polêmica comum no Estado. De um lado, protetores de imóveis importantes pela relevância histórica, arquitetônica ou cultural. De outro, donos de prédios que se dizem sem condições de conservar as construções.

Veja matéria completa no jornal Zero Hora

Em São João del-Rei / MG, Presidenta Dilma anuncia R$ 1,9 bilhão para PAC Cidades Históricas

ETO0556-EditarCom um total de R$ 1,6 bilhão em obras de restauração, o que representa acréscimo de R$ 600 milhões em relação à previsão divulgada em janeiro, a presidenta Dilma Rousseff anunciou a relação das ações que serão contempladas no PAC Cidades Históricas ao longo dos próximos três anos.
Além dos recursos para obras que serão destinados a 44 cidades de 20 estados brasileiros, outros R$ 300 milhões serão utilizados como linha de crédito para o financiamento de restauro e obras em imóveis privados localizados em áreas tombadas. O Programa do Governo Federal envolve, em sua formulação e implementação, os Ministérios da Cultura e do Planejamento e o IPHAN.
“Conhecer, respeitar e preservar as cidades históricas são requisitos para construirmos nosso futuro como nação democrática, civilizada e capaz de se erguer sobre os prórprios pés. Investindo no patrimônio Cultural estamos investindo em nós mesmos”, disse a presidenta Dilma Rousseff.
A ministra da Cultura, Marta Suplicy, e a presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Jurema Machado, participaram da cerimônia, realizada nesta terça-feira, 20 de agosto, em São João del-Rei (MG).
A ministra Marta Suplicy destacou que “com o PAC Cidades Históricas, a gestão do Patrimônio Cultural ganha uma nova dimensão já que vai além da mera intervenção física nos monumentos protegidos uma vez que reforça o sentimento de pertencimento e de cidadania em relação aos símbolos de nossa cultura”.

Jurema Machado também comemora o anúncio ressaltando que “inserir o patrimônio no programa estratégico de desenvolvimento do governo e uma medida emblemática. Os investimentos – o maior volume já disponibilizado para o IPHAN em toda a sua trajetória – significam também mais vitalidade para os ambientes urbanos, tendo o patrimônio cultural como vetor de desenvolvimento”, conclui a presidenta do IPHAN.
Recuperação
O PAC Cidades Históricas, mais do que conservar imóveis tombados, privilegiará a recuperação de edificações destinadas a atividades que favoreçam a vitalidade dos sítios históricos. Entre as 425 obras, 115 serão em imóveis que abrigam equipamentos culturais, como teatros, cinemas e bibliotecas, além dos 39 que museus cujos edifícios também serão recuperados pelo Programa.
O sistema de fortificações do litoral brasileiro, valioso como patrimônio e como potencial turístico, será contemplado com nove das mais importantes fortalezas, entre elas a de Sao Marcelo, em Salvador (BA), a dos Reis Magos, em Natal (RN), e a de Nossa Senhora dos Remédios, em Fernando de Noronha (PE). Dando continuidade a uma estratégia que vem sendo adotada com sucesso pelo IPHAN para a dinamização das áreas tombadas, 11 edificações integrantes de campi de universidades públicas também estarão entre as restauradas.
O PAC Cidades Históricas dará especial ênfase ao patrimônio ferroviário, hoje sob tutela do IPHAN, com 24 obras que possibilitarão novos usos a estações e conjuntos ferroviários, como, por exemplo, os emblemáticos complexos de Paranapiacaba, em Santo André (SP), e de São João del-Rei (MG). Um vasto conjunto de igrejas tombadas, de valor artístico e cultural, também será preservado.
O modelo de desembolso do programa não prevê repasse integral às prefeituras, mas sim a liberação de recursos à medida em que as obras forem licitadas. Os municípios selecionados nesta primeira etapa foram aqueles que preencheram uma ou mais das seguintes condições: possuir bens tombados em nível federal; ser declarados pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade; possuir conjuntos urbanos em situação de risco ao patrimônio edificado; ou serem conjuntos urbanos que constituam marcos no processo de ocupação do território nacional.
A proposta do PAC Cidades Históricas é buscar a recuperação e a revitalização das cidades, a restauração de monumentos protegidos, o desenvolvimento econômico e social e dar suporte às cadeias produtivas locais, com a promoção do patrimônio cultural.

Dilma destaca potencial econômico de cidades históricas

A presidenta Dilma Rousseff disse hoje (20), na cidade histórica de São João Del Rei, em Minas Gerais, que tais municípios são uma “extraordinária” afirmação do Brasil e autoafirmação do povo brasileiro, além de terem grande potencial turístico e de geração de emprego e renda.

“Não tenho dúvida de que nossas cidades históricas são uma extraordinária afirmação do Brasil, uma extraordinária autoafirmação do povo brasileiro, chamariz para o turismo, para viagens culturais, gerando emprego e renda para a população e receitas para os municípios”, destacou a presidenta, ao anunciar o repasse de R$ 1,6 bilhão do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas até 2015. Dilma lembrou que o programa tem como objetivos a preservação histórica e a geração de riqueza.

Além de R$ 1,6 bilhão em investimentos, Dilma anunciou uma linha de crédito de R$ 300 milhões para financiar obras em imóveis particulares localizadas em 105 cidades com áreas tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). “Sabemos que a beleza e a riqueza dos bens públicos são ampliados se a totalidade do sítio histórico for preservada, daí porque, junto com a preservação dos bens públicos, criaremos uma linha de financiamento para a recuperação de patrimônio privado de grande relevância cultural e histórica.”

Na lista do PAC Cidades Históricas, estão municípios como as capitais da Paraíba, do Maranhão e do Pará, João Pessoa, São Luís e Belém, São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul, Corumbá, em Mato Grosso do Sul, e São Luís do Paraitinga, em São Paulo. Segundo a prefeitura.ão João Del Rei, a cidade escolhida para o anúncio dos recursos receberá R$ 550 mil para sinalização turística.

No discurso, Dilma ressaltou que o local da cerimônia não poderia ser mais adequado e mencionou os brasileiros ilustres nascidos na cidade: o ex-presidente Tancredo Neves, o escritor Otto Lara Resende, a beata Nhá Chica, filha e neta de escravos, e a poetisa Bárbara Heliodora, que recebeu o tratamento de heroína da Inconfidência. A presidenta lembrou que esteve em São João Del Rei no início da campanha presidencial. “Naquele momento, eu prometi que o Brasil teria um PAC das cidades históricas, e estou aqui para levar a cabo esse PAC.”

Ouça aqui a íntegra do discurso (23min56s)   da Presidenta Dilma.

Centro Cultural Indígena será inaugurado em Porto Velho/RO

O Centro Cultural Indígena construído no entorno da Capela de Santo Antônio, como parte do pacote de compensação da Santo Antônio Energia (SAE) para a construção da UHE Santo Antônio, será inaugurado em uma semana, em Porto Velho. São cinco prédios para exposições e apresentações culturais.

A Capela de Santo Antônio continua como um dos marcos da criação de Porto Velho. Prestes a completar 100 anos de construção a capela ganhou reformas no piso, pintura nova, central de ar-condicionado, calçadas com acessibilidade, lixeiras e estacionamento. Entretanto, um dos principais pontos turísticos da capital também terá outros cinco prédios que foram construídos para abrigar o Centro Cultural Indígena.

O centro poderá ser utilizado para exposições e apresentações culturais. Um dos prédios foi adaptado para se tornar uma biblioteca. O projeto de construção da obra foi acompanhado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Rondônia (IPHAN).

Acessibilidade para cadeirantes, banheiros e lanchonete também fazem parte da obra. Tudo adaptado ao clima amazônico. Uma das principais atrações do local é um estrutura em formato de oca, construção indígena, projetada pelo mesmo arquiteto responsável pelo cenário do filme ‘Xingu’. Uma homenagem aos povos que cederam espaço para a construção da ferrovia Madeira-Mamoré.

fonte: G1 Rondônia

Antigo prédio da Câmara Municipal de Porto Velho deverá abrigar museu

Antigo prédio da Câmara está tomado por mato e entulhos (Foto: Vanessa Vasconcelos/G1)

A antiga sede da Câmara Municipal de Porto Velho, localizada na Rua José Bonifácio, no centro da cidade, deverá ter a estrutura restaurada para abrigar o Museu da Oralidade, onde relatos de figuras políticas que contribuíram historicamente para a formação do município deverão fazer parte do acervo. O início da obra depende da sanção do Projeto de Lei (PL) que transfere a propriedade, pertencente a prefeitura, para a câmara.

De acordo com o presidente da câmara municipal, vereador Alan Queiroz (PSDB), autor do PL que autoriza a prefeitura a doar a propriedade para o legislativo, cerca de R$ 800 mil de recurso próprio deverão ser empenhados na obra e o projeto de restauração já foi elaborado com a participação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

A antiga administração chegou a anunciar a transformação do espaço em uma Divisão Multicultural, com espaços artísticos para teatro, artes plásticas e audiovisual. Entretanto, o projeto não saiu do papel.

A atual presidente da FunCultural, Jória Lima, se manifestou a favor da doação do prédio à câmara, “tendo em vista que a câmara já possui projeto e recurso para isto”, justificou a  presidente, salientando a importância da recuperação histórica e cultural do município.

fonte: G1 Rondônia

Vagas em Projetos da UNESCO no Brasil contemplam IPHAN

Os processos seletivos dos projetos são conduzidos diretamente pela coordenação executiva de cada projeto, cabendo à UNESCO do Brasil o acompanhamento e monitoramento dos processos de contratação.

As candidaturas deverão ser encaminhadas para o endereço indicado em cada anúncio, obedecendo os prazos determinados em cada edital.

PROJETO 914BRZ 4012 – Edital 06/2013 – Região SulVagas Disponíveis: Graduação em antropologia, ciências sociais, história, geografia, museologia ou educação.Responsável Técnico pela Seleção : IPHAN

Data limite para entrega do currículo: maio 12, 2013

PROJETO 914BRZ 4012 – Edital 05/2013 – Região SudesteVagas Disponíveis: Graduação em antropologia, ciências sociais, história, geografia, museologia ou educação.Responsável Técnico pela Seleção : IPHAN

Data limite para entrega do currículo: maio 12, 2013

PROJETO 914BRZ 4012 – Edital 04/2013 – Região Centro OesteVagas Disponíveis: Graduação em antropologia, ciências sociais, história, geografia, museologia ou educação.Responsável Técnico pela Seleção : IPHAN

Data limite para entrega do currículo: maio 12, 2013

PROJETO 914BRZ 4012 – Edital03/2013 – Região nordesteVagas Disponíveis: Graduação em antropologia, ciências sociais, história, geografia, museologia ou educação.Responsável Técnico pela Seleção : IPHAN

Data limite para entrega do currículo: maio 12, 2013

PROJETO 914BRZ 4012 – Edital 02/2013 – Região NorteVagas Disponíveis: Graduação em antropologia, ciências sociais, história, geografia, museologia ou educação.Responsável Técnico pela Seleção : IPHAN

Data limite para entrega do currículo: maio 12, 2013

 

PROJETO 914BRZ4005- Edital 02/2013Vagas Disponíveis: Graduação na área de Comunicação Social – habilitação em Relações Públicas. Pós Graduação em Comunicação Social, Marketing e/ou relativos.Responsável Técnico pela Seleção : IPHAN

Data limite para entrega do currículo: maio 13, 2013

 

PROJETO 914BRZ 4012 – Edital 06/2013 – Região SulVagas Disponíveis: Graduação em antropologia, ciências sociais, história, geografia, museologia ou educação.Responsável Técnico pela Seleção : IPHAN

Data limite para entrega do currículo: maio 12, 2013

IPHAN anuncia a criação da maior reserva técnica de arqueologia do norte do Brasil

Cerâmica Antropomórfica encontrada na usina de Jirau (Foto: Danilo Curado/IPHAN-RO)

Cerâmica Antropomórfica encontrada na usina de Jirau (Foto: Danilo Curado/IPHAN-RO)

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), através da Superintendência em Rondônia, anuncia a criação da maior reserva técnica de arqueologia, com cerca de 2.000 m² , do norte do Brasil. Após diversas tratativas que acontecem desde 2009, uma reunião na última semana definiu a construção da Reserva Técnica de Arqueologia na Universidade Federal de Rondônia (Unir).

A Reserva Técnica abrigará todo o acervo arqueológico encontrado nas usinas hidrelétricas de Santo Antônio e de Jirau. Seguindo a legislação sobre o patrimônio arqueológico, o IPHAN decidiu pela criação de uma instituição de guarda de material arqueológico dentro da Universidade Federal de Rondônia. A construção será custeada pelos consórcios das usinas, e na Reserva Técnica estará salvaguardado todo o acervo arqueológico resgatado nas áreas dos empreendimentos hidrelétricos. Para agilizar o processo de construção da Reserva Técnica, o grupo definiu que no próximo dia 24 de abril será assinado o Termo de Cooperação, oficializando a construção do local de guarda do patrimônio arqueológico dentro do campus da Universidade em Porto Velho, capital de Rondônia.

Para o arqueólogo do IPHAN-RO, Danilo Curado, a construção da Reserva Técnica será um grande avanço para a arqueologia no estado devido ao crescente número de sítios arqueológicos identificados em Rondônia nos últimos anos, e aos que ainda deverão ser localizados. Segundo ele, com esse edifício exclusivo para o acervo proveniente das pesquisas de arqueologia, haverá condições materiais possíveis para assegurar, com salubridade, a proteção destes bens da União e da Memória Nacional.

O superintendente do IPHAN-RO, Beto Bertagna, diz que a construção da Reserva Técnica representará a conclusão dos esforços do IPHAN. “Apesar de não constar em lei a obrigatoriedade da permanência exclusiva deste material arqueológico no próprio estado, o IPHAN sempre manteve o direcionamento de que o acervo identificado em Rondônia iria ficar em Rondônia. Essa questão respeita os princípios das cartas internacionais relativas ao patrimônio arqueológico, as quais indicam que o acervo proveniente das pesquisas arqueológicas devem permanecer o mais próximo possível de suas fontes, ou seja, dos sítios arqueológicos e, consequentemente, da comunidade”, finaliza Bertagna.

Em Rondônia, pesquisa arqueológica quer provar que ocupação humana data de 7 mil anos

Material lítico (esquerda) e cerâmico (direita) estão sendo encontrados durante a escavação e podem comprovar as diferentes épocas de ocupação humana em Rondônia (Foto: Larissa Matarésio/G1)

Um estudo que está sendo realizado no Sítio Arqueológico do Teotônio, na região do Alto Rio Madeira, em Porto Velho, quer provar que existiu ocupação humana há mais de sete mil anos na região. Uma pesquisa realizada ano passado pela Universidade de São Paulo (USP) aponta que a ocupação mais antiga comprovada é de 3,2 mil anos. A grande quantidade de ‘terra preta’ ou ‘terra de índio’, como também é conhecido o solo muito fértil que é resultado da ação humana, será analisada por arqueólogos do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP e alunos do curso de arqueologia da Universidade Federal de Rondônia (Unir), que ajudam na escavação.
A partir do mapeamento da sobreposição das camadas do solo do sítio arqueológico e dos objetos cerâmicos e líticos encontrados durante a escavação será possível identificar e datar a ocupação da área. “Através dos sinais de deposição de materiais no solo é feita a análise para datação e vestígios do que é composto o material recolhido”, explica a geóloga Michele Tizuka, que faz parte da pesquisa.

Eduardo Neves, coordenador do estudo, diz que a grande quantidade de terra preta encontrada na região também pode conter indícios de populações que deixaram de ser nômades e se fixaram em Rondônia muito antes de outros povos da Amazônia.

“A terra preta se forma a partir de séculos de acúmulo de materiais orgânicos provenientes da ação humana, como restos de alimentos e de utensílios, por isso, onde esse tipo de solo é encontrado temos muito material arqueológico para estudar”, ressalta Neves.

Segundo Eduardo Neves, as novas descobertas no sítio do Teotônio podem ajudar a estabelecer alguns parâmetros para entender como ocupar a Amazônia de forma sustentável. “Estudar este solo é abrir uma janela arqueológica para entender o modelo de vida antigo e através do desenvolvimento da agronomia replicar de forma menos agressiva junto ao modelo de vida atual”, diz.

O estudo pode provar também, segundo Neves, que a mandioca foi domesticada nesta região do estado e que em Rondônia foram encontrados os melhores registros contínuos de formação e ocupação de áreas de terra preta de toda a Amazônia.

A escavação do solo por níveis pode revelar diversos tipos de materiais de diferentes épocas de ocupação humana. “As duas fases mais aceitas de ocupação humana são a de caçadores/coletores e dos agricultores. Os caçadores são formados por populações nômades que construíam e utilizavam objetos líticos, de pedra; enquanto os agricultores são mais conhecidos pelas cerâmicas e por serem ocupações mais recentes. Nestas escavações estamos encontrando os dois tipos de material”, explica Thiago Trindade, do grupo de estudos do Museu de Arqueologia e Etnologia .

Neves diz que a delimitação do perímetro do Sítio Arqueológico do Teotônio ainda não está totalmente definido. “Tudo indica que o sítio é muito grande e que ainda não conhecemos toda a extensão dessa área de ocupação. O mais importante é que podemos aproveitar este material para muitos anos de estudo e transformar o sítio em sítio escola, para que os alunos da Unir possam trabalhar em campo, atuando e estudando nessa região”, completa.

O estudo é acompanhado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

fonte: G1 Rondônia