Exposição Itinerante do Patrimônio Imaterial de Mato Grosso chega a Brasília

Entre histórias e conversas, ritos e culturas, chega a Brasília a Exposição Itinerante do Patrimônio Imaterial de Mato Grosso. Os visitantes poderão conferir, de 07 de agosto a 27 de setembro, bens culturais do patrimônio no estado, expostos na forma de obras de arte,  artefatos e fotografias de Mário Friedlander e Laercio Miranda.

Na Abertura, que ocorre logo mais às 18h na sala Mario de Andrade no edifício-sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), serão apresentadas manifestações culturais que ressaltam a riqueza e diversidade cultural do Estado de Mato Grosso, como exemplo do Guaraná Ralado (tradição aprendida com os índios Saterê-Mawê), do Funeral Bororo, das Gravatas Xavante dentre outros.

A musicalidade do ambiente estará garantida por instrumentistas da Viola de Cocho, bem registrado como patrimônio Cultural do Brasil. A mostra financiada com recursos do IPHAN, está aberta ao público de segunda a sexta, de 8h às 18h. De Brasilia, a exposição segue para Primavera do Leste, interior de Mato Grosso.

Bens Registrados no Estado
A Constituição Federal de 1988, nos artigos 215 e 216, estabeleceu que o patrimônio cultural brasileiro fosse composto de bens de natureza material e imaterial, incluídos aí os modos de criar, fazer e viver dos grupos formadores da sociedade brasileira. Atualmente, Mato Grosso possui dois deles registrados no Ministério da Cultura: Ritual Yaokwa e a Viola de Cocho – Modo de fazer.

Ritual Yaokwa é a mais longa e importante celebração realizada por este povo indígena, que habita uma única aldeia localizada na região noroeste do estado do Mato Grosso. Parte fundamental do Yaokwa ocorre quando se dá a saída dos homens para a realização da pesca coletiva de barragem e é considerado o ponto alto do ritual e o grande emblema da etnia. O Ritual Yaokwa foi inserido em 2010 no Livro de Registro das Celebrações.

A Viola de Cocho é um instrumento musical singular quanto à forma e sonoridade, produzido exclusivamente de forma artesanal, com a utilização de matérias-primas existentes na Região Centro-Oeste do Brasil. Sua produção é realizada por mestres cururueiros, tanto para uso próprio como para atender à demanda do mercado local, constituída por cururueiros e mestres da dança do siriri. O seu modo de fazer foi registrado no Livro dos Saberes, em 2005.

Os Saberes e Práticas Associados ao modo de fazer Bonecas Karajá são uma referência cultural significativa para o povo Karajá e representam, muitas vezes, a única ou a mais importante fonte de renda das famílias. Atualmente, a confecção dessas figuras de cerâmica é uma atividade exclusiva das mulheres e envolve técnicas e modos de fazer considerados tradicionais e transmitidos de geração em geração.

A pintura e a decoração das cerâmicas estão associadas, respectivamente, à pintura corporal dos Karajá e às peças de vestuário e adorno consideradas tradicionais. Indicativos de categorias de gênero, idade e estatuto social, a pintura e os adereços complementam a representação figurativa das bonecas, que identificam então “o Karajá” homem ou mulher, solteiro ou casado, com todos os atributos que “a cultura” cria para distinguir convencionalmente essas categorias.


Confira a lista de objetos expostos
Consulte também o guia de bens tombados atualizado em 2012

Viola de Cocho é tema de festival em Corumbá-MS

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (IPHAN-MT/MS) realizam, em parceria, o I Festival da Viola-de-Cocho, de 21 a 23 de junho na cidade de Corumbá no sul mato-grossense.

Na ocasião, serão apresentadas diversas ações desenvolvidas em prol da salvaguarda da Viola-de-Cocho, como: apresentação do dossiê de registro do modo de fazer da Viola-de-Chocho; apresentação de grupos de Cururu e Siriri de Mato Grosso e de Corumbá;  lançamento do vídeo das oficinas de construção da Viola, do modo de tocar e cantar o Cururu, e do Siriri; e, por fim, a apresentação cultural com a participação dos alunos das oficinas acima descritas.

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