No dia de seu aniversário, Belém/PA ganha de presente a revitalização do Mercado do Ver-o-Peso

Na comemoração do aniversário de 400 anos de Belém teve parabéns, bolo de chocolate, abraço fraterno, orações e, claro, vários presentes como o convênio assinado na manhã desta festiva terça-feira, 12, entre o governo do Estado e prefeitura municipal, para a reforma e revitalização completa do complexo do Mercado do Ver-o-Peso. “Esse é um presente da população do Pará para a capital paraense”, revelou o governador Simão Jatene. FOTO: CRISTINO MARTINS / AG. PARÁ DATA: 12.01.2016 BELÉM - PARÁ

foto : Cristino Martins / Ag. Pará

O projeto de reforma e revitalização completa do complexo do Mercado do Ver-o-Peso é uma construção coletiva, fruto de várias reuniões realizadas pela Prefeitura com os feirantes que apresentaram as principais reivindicações e sugestões para melhorias. A proposta seguiu também as diretrizes do Iphan e as exigências da Vigilância Sanitária, garantindo a comercialização e armazenamento dos artigos alimentícios de forma segura, limpa e organizada.

O projeto foi anunciado logo após os parabéns cantado em volta do bolo de 100 metros, que foi dividido com a população que estava na Castilho França, em frente ao Ver-o-Peso.

O projeto tem investimento total de R$ 34 milhões, sendo R$ 25 milhões repassados pelo governo estadual e o restante de contrapartida da gestão municipal.

Na comemoração do aniversário de 400 anos de Belém teve parabéns, bolo de chocolate, abraço fraterno, orações e, claro, vários presentes como o convênio assinado na manhã desta festiva terça-feira, 12, entre o governo do Estado e prefeitura municipal, para a reforma e revitalização completa do complexo do Mercado do Ver-o-Peso. “Esse é um presente da população do Pará para a capital paraense”, revelou o governador Simão Jatene. FOTO: CRISTINO MARTINS / AG. PARÁ DATA: 12.01.2016 BELÉM - PARÁ

Internautas escolhem nova cor para o Mercado Ver-o-Peso, no Pará

Com 57% de todos os votos, a população paraense e internautas de todo o Brasil escolheram o azul para ser a nova cor do Mercado de Ferro, ou o Mercado de Peixe (Ver o Peso), como é conhecido popularmente. A pesquisa realizada entre 17 e 24 de janeiro foi uma iniciativa do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN com apoio do Centro de Memória da Universidade Federal do Pará – UFPA. Das 3.200 participações computadas o verde ficou com o segundo lugar, alcançando uma porcentagem de 28% da preferência e o vermelho em último, com 15% dos votos.

O processo participativo surgiu durante a Obra de Restauração e Conservação do Mercado realizada em 2012 pelo IPHAN, que ao aplicar uma pintura de cor laranja anticorrosiva nos elementos de ferro, houve manifestações contrárias da população que acreditava ser a cor utilizada para o acabamento. A principal alegação era que a cor “original” do Mercado, supostamente o azul, deveria ser mantida.
Para o IPHAN, a expressiva participação dos internautas e os resultados obtidos na pesquisa reforçam que o Mercado Ver-o-Peso é, de fato, um importante patrimônio cultural de Belém e do Brasil, merecendo o título de principal cartão postal da cidade.

Desde o início da pesquisa, o corpo técnico do IPHAN já esperava a predominância do azul em relação às outras cores, uma vez que, há muitos anos esta cor vem sendo usada e já se integrou à percepção da paisagem e faz parte das lembranças e da memória social da cidade. De acordo com o Instituto, há uma forte identificação e tradição da população com a paisagem do Ver-o-Peso. A população se preocupa com o patrimônio e gosta de opinar a respeito.

A análise qualitativa dos dados possibilitou conhecer melhor a importância e o significado das cores no imaginário da população. No caso específico do Mercado de ferro do Ver-o-Peso, detectou-se na defesa do azul, ainda que admitindo variações de tonalidade, a defesa da “tradição”, a resistência a mudanças quando se trata de elementos identitários de patrimônio. O azul também foi associado aos dois principais times de futebol do estado. A cor verde teve sua indicação e aceitação respaldadas na associação com características regionais e ecológicas, tais como Amazônia, florestas e as mangueiras da cidade. O vermelho foi associado à cor do açaí, a pele morena e a bandeira do Pará, denotando uma postura de ousadia, inovação e modernidade.

A Obra de restauro
Em janeiro de 2012, atendendo a demanda dos próprios trabalhadores do local, o IPHAN deu início à obra de restauração e conservação de Mercado de Peixe, a qual inclui a reconstrução da cobertura com redimensionamento do sistema de calhas e condutores; instalações elétricas e iluminação com implantação de para raios; instalações hidrosanitárias com implantação de sistema de tratamento de esgoto e melhorias nos banheiros; instalação de câmara frigorífica para conservação e estoque mínimo de gelo para as cubas de inox onde o pescado é exposto para venda; restauração dos elementos de ferro que se apresentavam muito oxidados e deteriorados.

Para que o mercado não fosse fechado, foi acordado com a Secretaria Municipal de Economia, os peixeiros e os lojistas, que a obra se daria em duas etapas. A finalização da obra na primeira metade está planejada para março/2013, quando será iniciada a parte restante. Para o remanejamento provisório de alguns comerciantes durante as obras a prefeitura cedeu o Solar da Beira.

O Mercado Ver-o-Peso e suas reformas
Inaugurado em 1625 no antigo Porto do Pirí, a Casa de “Haver o Peso”, que inicialmente era apenas um posto de aferição de mercadorias e arrecadação de impostos, viria a constituir um grande mercado aberto. Ao longo do tempo sofreu diversas modificações, inclusive para se adaptar à necessidade e gostos da Belle Époque, período de cultura cosmopolita que, segundo alguns autores, iniciou no fim do século XIX e durou até a Primeira Guerra Mundial. Nesse período o Ver-o-Peso passa por uma grande reforma. O Mercado de Carne recebe o segundo pavimento e o pavilhão de ferro, enquanto que o Mercado de Peixe é construído junto à doca. Os dois mercados integram um complexo arquitetônico e paisagístico de 25 mil metros quadrados, com uma série de construções históricas: a Doca, a Feira do Açaí, a Ladeira do Castelo, o Mercado da Carne, o Mercado de Ferro, a Praça do Pescador, a Praça do Relógio e o Solar da Beira.

Em 1897, a empresa La Rocque Pinto & Cia venceu a concorrência para a construção do Mercado de Ferro, edifício exemplar do período artístico da Belle-Époque, seguindo a tendência francesa de art nouveau. Toda a estrutura em forma de dodecágono do Mercado foi importada da Europa, pesando aproximadamente 1.133.389 toneladas, e feita em zinco veille-montaine. No ano de 1892 a obra teve início, sob a responsabilidade dos Engenheiros Bento Miranda e Raimundo Viana, que montaram todo o conjunto no local, uma vez que o Mercado foi comprado de firmas de Nova York (USA) e Londres (Inglaterra). Em 1901 o Mercado vai ser inaugurado, mas inicialmente funcionava apenas com a venda de produtos diversificados.

O conjunto arquitetônico e paisagístico do Ver-o-Peso foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN e inscrito no Livro do Tombo Histórico no ano de 1977. Passou por restauração em 2006, que englobou o Mercado de Carne, áreas adjacentes e o Mercado de Peixe.

Estudantes do curso de Turismo da Universidade de Brasília visitam exposição Ver-o-Peso

Alunos do curso de Turismo da Universidade de Brasília – UnB, participantes das disciplinas Sustentabilidade, Ética e Turismo, e Estudo do Turismo 1 ministradas pela professora Iara Brasileiro (e pelo) professor Luiz Carlos Spiller, e Daniela Rocco fizeram uma visita a exposição sobre a beleza e a tradição do Mercado Ver-o-Peso de Belém do Pará. A mostra fica em Brasília, na sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) até o dia 22 de fevereiro, o agendamento para grupos pode ser feito pelo e-mail expoveropeso@gmail.com ou pelo telefone (61) 2024-5464.

O curso de bacharelado em Turismo da UnB foi implantado no segundo semestre de 2010 e conta com 200 estudantes.  Os estudantes presentes passaram pelas diversas etapas da exposição: o módulo Mercado que traz o Ver-o-Peso como um espaço popular, conferindo amplo destaque à literatura local e contextualizando o mercado historicamente. O módulo patrimônio cultural que sensibiliza para a importância e os modos dos fazeres tradicionais e também apresenta cronologicamente a histórica da transformação da paisagem urbana local, além dos achados arqueológicos coletados durante a reforma do Mercado em 2002.

“A exposição proporciona formação técnica mesclando teoria e prática, além de ser uma oportunidade de se ter contato com a cultura do estado do Pará. Eventos como este proporcionam aos estudantes um aprendizado voltado ao turismo cultural e a preservação do local, bem como diferentes aspectos entre cultura e sustentabilidade. Este conjunto ‘materializa o imaterial’ e é importante não só para a comunidade acadêmica, mas para toda sociedade” afirmam os professores.