Novo Complexo Cinematográfico Vera Cruz é apresentado durante audiência pública

A criação de um complexo cinematográfico no local do antigo Estúdio Vera Cruz foi discutida durante audiência pública na tarde desta terça-feira (14). Durante o encontro, representantes da Prefeitura de São Bernardo explicaram aos presentes detalhes sobre o processo de concessão para exploração do espaço por uma empresa privada. O objetivo do projeto é recolocar a cidade no cenário cinematográfico nacional.

O Complexo Cinematográfico terá estúdios para produção de filmes, centro cultural com cinema e com capacidade para 100 pessoas, e núcleo de formação audiovisual. Haverá ainda salas de produção, incubadora de empresas voltada à produção audiovisual, lanchonete, locadora de equipamentos e estacionamento.

Entre as atribuições da Prefeitura estão a gestão do núcleo audiovisual, do programa de incubadoras de empresas e o apoio à produção audiovisual da cidade.

Já a empresa concessionária ficará responsável pelo projeto executivo, licenças, construção e implantação do Complexo. A operação e manutenção de todo o espaço também serão responsabilidade da empresa, que em troca poderá explorar comercialmente o empreendimento. A utilização do teatro, com 800 lugares, será compartilhada entre a Prefeitura e a empresa escolhida.

A previsão é que as obras previstas no projeto sejam concluídas em cinco anos após o encerramento da licitação que vai escolher a empresa concessionária.

De acordo com o secretário de Cultura, o objetivo da audiência é dialogar com a sociedade civil e falar sobre como o projeto vai aliar o interesse público com a lógica comercial. “A concessão dará a dinâmica necessária para a produção, difusão e formação do mercado audiovisual na cidade, que terá a fiscalização e gestão do poder público. Com isso, estamos assegurando o acesso ao espaço pela população”, disse.

O prazo da concessão da área, que possui 45,6 mil metros quadrados, será de 30 anos. O valor estimado de investimento é de R$ 156 milhões, sendo que a empresa terá que pagar como outorga à Prefeitura R$ 63 milhões, com isenção dos cinco primeiros anos. O saldo será corrigido em 300 parcelas para completar os 25 anos.

Nos próximos 30 dias, moradores poderão fazer sugestões ao projeto de criação do novo Complexo no Vera Cruz pelo e-mail cultura.divulgacao@saobernardo.sp.gov.br. As respostas e o documento que explicita o projeto estarão disponíveis para consulta no site http://www.saobernardo.sp.gov.br

fonte: Blog Arquitetura e Lugar

Primeiro arranha-céu da América Latina pode se tornar patrimônio cultural brasileiro

Marco da modernidade da então capital brasileira, o Edifício A Noite foi o primeiro arranha-céu da América Latina, atração turística da cidade e um mirante que competia com o Pão de Açúcar e o Corcovado. Foi construído por um grande jornal da época, A Noite, e sediou desde a fundação a mais importante emissora do país, a Rádio Nacional. É também um dos mais destacados exemplares da art déco, estilo arquitetônico característico de grande parte das edificações das décadas de 1920 a 1940 nas grandes cidades do mundo.

O nome soa exótico para os que não conhecem a história do prédio, que pode ganhar o status de patrimônio cultural brasileiro.

O prédio, de 22 andares e 102 metros de altura – o que corresponde a 30 andares de um edifício atual – está desocupado desde o final do ano passado, com a mudança, para outras instalações, da Rádio Nacional e daAgência Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). O edifício já é tombado pela prefeitura do Rio de Janeiro.

Considerado um dos primeiros jornais populares do Rio, o vespertino A Noite foi criado em 1911 por Irineu Marinho, que se afastou de sua direção em 1925 para fundar O Globo. Em 1929, já pertencente ao jornalista Geraldo Rocha, A Noite inicia a construção de seu edifício-sede na Praça Mauá. No local, existia o Liceu Literário Português, a primeira escola do país a oferecer cursos noturnos, ainda em 1854, no Império, quando nem luz elétrica havia ainda no Rio de Janeiro. Para fazer frente aos elevados custos da obra, o jornal, que havia sido de oposição, passou a apoiar o governo do presidente Washington Luís.

A edificação, em uma época em que os prédios mais altos do Rio não passavam de dez a 12 andares, causou grande impacto na população carioca. “A conclusão de cada andar era celebrada como se fosse uma vitória da raça brasileira. O Brasil finalmente entrava na era dos arranha-céus, embora o edifício, com seus 22 andares, sequer se comparava aos seus equivalentes norte-americanos”, conta o professor Milton Teixeira, estudioso da história carioca.

O projeto foi do arquiteto francês Joseph Gire, com os cálculos estruturais a cargo do engenheiro alemão Emilio Baumgart, ambos radicados no Brasil e responsáveis por várias obras importantes na cidade. Mesmo assim, lembra Teixeira, não faltaram especulações negativas durante a construção. “Falava-se que aquilo poderia cair, que o vento iria derrubar o prédio”, diz o professor.

A Revolução de 1930 não poupou o edifício que acabava de ser inaugurado, devido ao apoio do jornal A Noite à República Velha, derrubada por Getúlio Vargas. O prédio foi alvo de ataques e de um incêndio por parte dos revoltosos. Em 1933, sob nova orientação, o jornal, que ocupava os cinco primeiros pavimentos do prédio, decide criar uma emissora de rádio. Inaugurada em 1936, a Rádio Nacional ocupava os quatro últimos andares do prédio.

Mergulhado em dívidas, o grupo que detinha o controle do jornal e da rádio, além de diversas outras empresas, foi incorporado ao patrimônio da União. E assim, a Nacional, que nasceu como emissora privada, se tornou uma rádio pública.

Iphan/PR apresenta balanço sobre a gestão do patrimônio ferroviário no Paraná

Em 2007, com a extinção da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional passou a ser legalmente responsável pelos bens móveis e imóveis de valor artístico, histórico e cultural oriundos daquela empresa, devendo recebê-los e administrá-los. Nos cinco anos decorridos desde então, a Superintendência do Iphan no Paraná, apesar do reduzidíssimo quadro de pessoal, tem um importante trabalho a mostrar, como se pode ver a seguir, ano a ano ou por período plurianual.

2007/2012 – Cessão de oito pátios ferroviários com estações, casas e armazéns às respectivas prefeituras. Entre os pátios cedidos, dois deles – o de Pirapó, em Apucarana, e o de Ibiporã – já foram restaurados pelos respectivos municípios com participação técnica do Iphan. Espera-se que outros o sejam em breve.

– Análise técnica de cerca de quinhentos imóveis para avaliação de eventual valor histórico-cultural.

2008 – Inventário de cerca de 5.000 bens móveis do edifício Teixeira Soares – antiga sede da extinta RFFSA – e de 1.500 bens móveis dos demais acervos expostos em Curitiba e em outras cidades paranaenses.

2008/2012 – Inventário de 70 pátios ferroviários paranaenses.

2009 – Contratação dos projetos de restauração das estações ferroviárias da Lapa e de Paranaguá.

– Obra de restauração de uma casa do pátio ferroviário em Piraquara para instalação de museu ferroviário.

2010 – Projeto e obra de restauração da Estação Ferroviária de Paulo Frontin com recursos do Iphan.

– Articulação com o Ministério Público Federal para formulação e assinatura de Termo de Ajustamento de Conduta para elaboração e execução de projetos – já prontos e aprovados – e obras de restauração em seis estações ferroviárias do norte do Paraná às expensas da concessionária da estrada de ferro.

– Inventário de levantamento de material rodante no Estado do Paraná.

– Convênio com a Universidade Federal do Paraná para restauração do Edifício Teixeira Soares – antiga sede da extinta RFFSA – e criação de espaço de memória ferroviária sob responsabilidade do Iphan. As obras estão em andamento e poderão estar concluídas em 2013.

2011 – Articulação com o Ministério Público Federal para destinação de verbas compensatórias pagas pela concessionária da estrada de ferro por responsabilização em vandalização de duas pequenas estações ferroviárias.

2011/2012 – Inventário, digitalização, higienização, restauração parcial e acondicionamento em arquivo de 16 mil fotos da extinta RFFSA, entre elas cinco do fotógrafo oficial de D. Pedro II, Marc Ferrez.

2012 – Contratação do Inventário da Estrada de Ferro Paranaguá-Curitiba para formatação da proteção federal a ser proposta.

– Articulação e apoio técnico para realização das obras de restauração do Viaduto Ferroviário João Negrão, também conhecido como Ponte Preta, no Centro de Curitiba, já concluídas.

– Ampliação do Museu Ferroviário de Curitiba, no Shopping Estação, em andamento.

– Recebimento formal da Estação Ferroviária de Curitiba (na rodoferroviária) e da Garagem de Automotrizes, ambas já concretizadas, e tratativas em curso para restauração e readequação do uso das mesmas.

fonte : IPHAN/PR