Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Iphan se reúne em Brasília para decidir novos tombamentos

A lista de bens protegidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) poderá ter dois novos bens a partir do dia 15 de setembro. O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural estará reunido na sede do Iphan, em Brasília, para avaliar a proposta de tombamento da Casa da Flor, em São Pedro D’Aldeia, na Região dos Lagos (RJ) e o registro da Romaria de Carros de Boi da Festa do Divino Pai Eterno de Trindade (GO).

O Conselho que avalia os processos de tombamento e registro é formado por especialistas de diversas áreas, como cultura, turismo, arquitetura e arqueologia. Ao todo, são 23 conselheiros, que representam o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos), a Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Ministério da Educação, o Ministério das Cidades, o Ministério do Turismo, o Instituto Brasileiro dos Museus (Ibram), a Associação Brasileira de Antropologia (ABA), e mais 13 representantes da sociedade civil, com especial conhecimento nos campos de atuação do Iphan.

Tudo caquinho transformado em beleza

Em 1912, Gabriel Joaquim dos Santos (1892-1985), um trabalhador nas salinas, em São Pedro D’Aldeia, na Região dos Lagos (RJ), abusando de sua criatividade decidiu construir sua própria casa. Por causa de um sonho, ele decidiu embelezar a casa com mosaicos, esculturas e enfeites diversos coletados no lixo e a partir de objetos quebrados. Segundo ele, eram “coisinhas de nada”. Foi assim que nasceu a Casa da Flor.

De acordo com o parecer do Iphan, entre as justificativas para o tombamento da Casa da Flor está o ineditismo criativo, que instiga ao debate sobre os processos de produção cultural. O documento destaca que “a Casa da Flor condensa esse esforço de ordenar a desordem, a fragmentação e as oposições, de acordo com um conhecimento do valor das coisas e não da sua utilidade meramente funcional.”

A identidade cultural de um povo muitas vezes está ligada à sua crença e, principalmente, à simbologia que envolve a tradição das práticas e celebrações religiosas. A devoção ao Divino Pai Eterno, em Trindade, começou volta de 1840, quando um casal encontrou um medalhão entalhado com a imagem do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Desde então, muitas pessoas peregrinam até a região, caracterizando esta prática como imersa no catolicismo popular.

Fé e devoção pelas estradas de Goiás

Os carros de bois eram, antigamente, o principal meio de transporte para as famílias das zonas rurais, para viagens de longas distâncias. Por isso, a Romaria de Carros de Bois da Festa de Trindade, especificamente, está relacionada às antigas práticas cotidianas da vida rural. Ainda hoje, permanece como uma tradição cultural, reiterada no convívio familiar por sua representatividade no que se refere às antigas vivências de homens e mulheres do campo.

Curso a Distância sobre Patrimônio Imaterial tem inscrições abertas

Até o próximo dia 30 de janeiro estão abertas as inscrições para o curso EAD Formação para a Gestão do Patrimônio Cultural Imaterial no âmbito da COOP SUL, uma realização do Centro Lucio Costa (CLC), em parceria com o Centro Regional para a Salvaguarda do Patrimonio Cultural Imaterial (Crespial), com apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e coordenação técnica da Inspire | Gestão Cultural. São 50 vagas para o curso que acontecerá entre os dias 19 de fevereiro e 04 de maio, com aulas ministradas pela internet. O curso tem a coordenação de conteúdo de Lucas dos Santos Roque e o corpo docente é formado por especialistas do Brasil e da América Latina. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site http://inspirebr.com.br/ead. A seleção dos participantes ocorrerá no dia 10 de fevereiro.

Estruturado em oito disciplinas, o curso tem como objetivo fortalecer as capacidades locais para estruturação e execução de políticas de patrimônio imaterial, nos estados e municípios brasileiros, por meio da capacitação de gestores culturais para atuarem na salvaguarda do patrimônio cultural imaterial – legislação, identificação, reconhecimento, apoio e fomento à sustentabilidade. Também permitirá analisar e discutir os principais conceitos relacionados ao patrimônio cultural brasileiro em suas diferentes dimensões e interações com aspectos de identidade, território e meio ambiente, incentivando o espírito crítico dos participantes e qualificando-os para desempenhar ações mais efetivas e conscientes nesta área específica. O curso é voltado para gestores públicos na área do Patrimonio Cultural Imaterial, responsáveis pela gestão de políticas de salvaguarda deste tipo de patrimônio.

Nos primeiros dias do curso, será ministrada a disciplina Ambientação em EAD, que tem como objetivo quebrar uma possível resistência dos alunos em relação à aprendizagem virtual, otimizar a utilização dos recursos da plataforma do curso e explicitar a metodologia adotada.
Também serão oferecidas as disciplinas:
– Ambientação em espaços virtuais e introdução ao funcionamento do curso;
– A constituição do campo do patrimônio imaterial e seus conceitos estruturantes;
– A Convenção para a salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial (Convenção de 2003) e as suas Diretrizes Operativas;
– A Gestão Pública do PCI;
– A participação da comunidade na Gestão do PCI;
– Diferentes possibilidades e metodologias de apoio, fomento, divulgação e promoção do PCI;
– Diferentes possibilidades e metodologias de reconhecimento, identificação, investigação e documentação do PCI;
– Transversalidade e interfaces do Patrimônio Imaterial.

Outras informações podem ser obtidas no site www.inspirebr.com.br ou pelo telefone (31) 3274.4953. Os e-mails para contato são suporte@inspirebr.com.br e michelleantunes@inspirebr.com.br

Fonte: CLC – DPI – Iphan

Inscrições para Edital da Eletrobrás vão até dia 18 de dezembro

O Programa Cultural das Empresas Eletrobras 2014 vai destinar R$ 8 milhões para apoiar projetos de todo o Brasil em três segmentos: Teatro, Audiovisual e Patrimônio Cultural Imaterial.

Veja o Edital Completo aqui

Exposição Itinerante do Patrimônio Imaterial de Mato Grosso chega a Brasília

Entre histórias e conversas, ritos e culturas, chega a Brasília a Exposição Itinerante do Patrimônio Imaterial de Mato Grosso. Os visitantes poderão conferir, de 07 de agosto a 27 de setembro, bens culturais do patrimônio no estado, expostos na forma de obras de arte,  artefatos e fotografias de Mário Friedlander e Laercio Miranda.

Na Abertura, que ocorre logo mais às 18h na sala Mario de Andrade no edifício-sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), serão apresentadas manifestações culturais que ressaltam a riqueza e diversidade cultural do Estado de Mato Grosso, como exemplo do Guaraná Ralado (tradição aprendida com os índios Saterê-Mawê), do Funeral Bororo, das Gravatas Xavante dentre outros.

A musicalidade do ambiente estará garantida por instrumentistas da Viola de Cocho, bem registrado como patrimônio Cultural do Brasil. A mostra financiada com recursos do IPHAN, está aberta ao público de segunda a sexta, de 8h às 18h. De Brasilia, a exposição segue para Primavera do Leste, interior de Mato Grosso.

Bens Registrados no Estado
A Constituição Federal de 1988, nos artigos 215 e 216, estabeleceu que o patrimônio cultural brasileiro fosse composto de bens de natureza material e imaterial, incluídos aí os modos de criar, fazer e viver dos grupos formadores da sociedade brasileira. Atualmente, Mato Grosso possui dois deles registrados no Ministério da Cultura: Ritual Yaokwa e a Viola de Cocho – Modo de fazer.

Ritual Yaokwa é a mais longa e importante celebração realizada por este povo indígena, que habita uma única aldeia localizada na região noroeste do estado do Mato Grosso. Parte fundamental do Yaokwa ocorre quando se dá a saída dos homens para a realização da pesca coletiva de barragem e é considerado o ponto alto do ritual e o grande emblema da etnia. O Ritual Yaokwa foi inserido em 2010 no Livro de Registro das Celebrações.

A Viola de Cocho é um instrumento musical singular quanto à forma e sonoridade, produzido exclusivamente de forma artesanal, com a utilização de matérias-primas existentes na Região Centro-Oeste do Brasil. Sua produção é realizada por mestres cururueiros, tanto para uso próprio como para atender à demanda do mercado local, constituída por cururueiros e mestres da dança do siriri. O seu modo de fazer foi registrado no Livro dos Saberes, em 2005.

Os Saberes e Práticas Associados ao modo de fazer Bonecas Karajá são uma referência cultural significativa para o povo Karajá e representam, muitas vezes, a única ou a mais importante fonte de renda das famílias. Atualmente, a confecção dessas figuras de cerâmica é uma atividade exclusiva das mulheres e envolve técnicas e modos de fazer considerados tradicionais e transmitidos de geração em geração.

A pintura e a decoração das cerâmicas estão associadas, respectivamente, à pintura corporal dos Karajá e às peças de vestuário e adorno consideradas tradicionais. Indicativos de categorias de gênero, idade e estatuto social, a pintura e os adereços complementam a representação figurativa das bonecas, que identificam então “o Karajá” homem ou mulher, solteiro ou casado, com todos os atributos que “a cultura” cria para distinguir convencionalmente essas categorias.


Confira a lista de objetos expostos
Consulte também o guia de bens tombados atualizado em 2012

IPHAN auxiliará na preservação do Patrimônio Imaterial da Guatemala

Sem título-1O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), órgão brasileiro integrante do Comitê Intergovernamental da Salvaguarda do Patrimônio Imaterial da UNESCO, auxiliará o Governo da Guatemala a desenvolver ações voltadas à política de salvaguarda do patrimônio cultural imaterial do país.

A iniciativa decorre do compromisso brasileiro assumido durante a 7ª Sessão do Comitê Intergovernamental da Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial da UNESCO, em Paris, em dezembro de 2012, e organizada pela Assessoria de Relações Internacionais da Presidência do Iphan – ARIN, em articulação interna com a direção do Departamento de Patrimônio Imaterial, e com as autoridades guatemaltecas de patrimônio cultural.

A experiência brasileira desenvolvida no IPHAN, especialmente no que se refere aos inventários e aos modos de reconhecimento do patrimônio cultural imaterial será compartilhada com os órgãos guatemaltecos. O trabalho inicial irá se concentrar em seis municípios e o foco geográfico busca um reflexo da realidade multicultural da Guatemala em quatro grupos importantes (Xinca, Garifuna, Mestizo e Maya).

Para isto, a especialista do Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan, Mônia Silvestrin, Coordenadora-Geral de Identificação e Registro, estará reunida com a Direção Técnica do Patrimônio Cultural Imaterial da Guatemala (PCI), durante uma semana (13 a 19 de junho) para trocar experiências e auxiliar no processo de criação de um sistema de inventário do Patrimônio Imaterial, da projeção de seu banco de dados e armazenamento, bem como no estabelecimento de requisitos do PCI. Esta iniciativa reitera o comprometimento do IPHAN de apoiar ações no âmbito da cooperação Sul-Sul, fortalecendo e exemplificando os princípios da Convenção de 2003, da UNESCO e, neste particular, prestando a assistência técnica àquele país para que possa desenvolver iniciativas nesse campo junto à UNESCO.