IPHAN retoma atividades de proteção ao Forte Príncipe da Beira, em Rondônia

Forte Pr+¡ncipe 2. Foto Danilo Curado.IphanO Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), através da Superintendência em Rondônia, retomou na primeira quinzena de fevereiro o projeto de estabilização das ruínas do Real Forte Príncipe da Beira, monumento militar instalado no município de Costa Marques/RO. Os trabalhos dão continuidade às atividades iniciadas em 2007, e prevê ações para 2014 e 2015.

O Real Forte Príncipe da Beira é uma fortaleza militar do final do século XVIII, tido como uma das maiores construções portuguesas fora de Portugal. Erguida em plena floresta amazônica, é considerada uma das mais desafiadoras construções realizadas no final de 1700 no Brasil. Sua importância para a história do país e para a formatação do atual território nacional foi reconhecida por meio do tombamento no ano de 1950.

A equipe de trabalho, integrada pela engenheira do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização(DEPAM) da sede do IPHAN em Brasília/DF, Renata Ceridono Fortes e pelo superintendente substituto do Iphan em Rondônia, Danilo Curado, realizou uma vistoria técnica no Forte no último mês de fevereiro.

Para o superintendente substituto do IPHAN em Rondônia, Danilo Curado, o Instituto pretende acordar parceria técnica com o Exército, procurando viabilizar o escoramento das ruínas das edificações intramuros. “Esta é uma demanda emergencial, pois diversas paredes se encontram em desaprumo. Desta maneira, conforme os contatos iniciais com o então comandante da 17ª Brigada, General Ubiratan Poty, o Exército poderá ceder o madeiramento e disponibilizara mão-de-obra para a execução do referido escoramento e, por sua vez, contar com acompanhamento e orientação técnica do IPHAN”, afirma Curado.

Após o escoramento emergencial, ação provisória de apoio às estruturas e elementos que apresentam riscos de perda do Bem, deverão ser executadas as obras de estabilização de uma das edificações. “Considerando as dificuldades logísticas inerentes à localidade do Forte, e conforme diretrizes já apresentadas por outros técnicos no passado, e que hoje ainda entendemos ser uma forma de darmos continuidade no projeto, a proposta é a de iniciarmos com uma obra piloto, a qual servirá de parâmetro para a própria execução dos trabalhos, bem como para a apropriação dos custos e especificação técnica destes serviços”, assevera Ceridono.
Para o superintendente substituto do IPHAN em Rondônia, é necessário que ocorram parcerias em prol do monumento. “O Forte Príncipe da Beira não é tão somente um baluarte setecentista. Ele é a representação material dos esforços hercúleos que brasileiros, africanos e europeus dispuseram na Amazônia. Se a quase duzentos e cinquenta anos após sua fundação, nós sentimos hoje a dificuldade de trabalharmos no Forte, é peremptório que reconheçamos todo o suor e sangue empilhado naquelas muralhas de tapiocanga. Para tanto, tal reconhecimento decorre da retomada das atividades no patrimônio”, finaliza Curado.

O monumento

O Forte Príncipe da Beira é uma fortaleza composta de uma muralha de aproximadamente 980 metros de perímetro, erigida em taipa de formigão e protegida por cortinas de pedra tapiocanga aparelhada. Cercado por muralhas que medem 10 metros de altura, a fortaleza é basicamente constituída por uma praça central, onde existem as ruínas de quinze prédios.
Além do tombamento pela União, o Forte é tombado como patrimônio do Estado de Rondônia, sendo reconhecido por meio da Constituição estadual de 1989, artigo 264. Por se encontrar dentro de área militar, a responsabilidade fundiária compete ao Exército Brasileiro.

Forte Pr+¡ncipe. Foto Danilo Curado.Iphan

fotos: Danilo Curado

Iphan garante construção do 3º Museu de Arqueologia em Rondônia

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O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), através da Superintendência em Rondônia, realizou, na quinta-feira (5), uma reunião para firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Empreendimento Canaã Geração de Energia, garantido uma série de medidas que visam à construção de um Museu de Arqueologia no município de Ariquemes/RO. O objetivo é diminuir os impactos ao patrimônio arqueológico com a construção da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Santa Cruz, nos municípios de Cacaulândia e Monte Negro.
O Museu de Arqueologia, segundo o acordo, deve ser construído em 12 meses na sede do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (Ifro), em Ariquemes. Após a obra, o Museu será mantido e gerido pelo Ifro. Além da construção da reserva técnica, que abrigará as peças arqueológicas resgatadas nas PCHs Jamari, Santa Cruz e Canaã, o TAC prevê a publicação de mil livros que retratam a arqueologia da região, 10 mil guias didáticos sobre educação patrimonial e cursos com 200 horas/aula para os colaboradores do Ifro e comunidade em geral.
Segundo o superintendente substituto do IPHAN em Rondônia, Danilo Curado, o Museu levará para a região de Ariquemes um centro de pesquisa em Arqueologia, contribuindo para a preservação da memória do povo brasileiro e da cultura local. “As pesquisas apontaram que Ariquemes e demais municípios vizinhos possuem um potencial arqueológico extremamente relevante, tornando imprescindível a existência de um local de pesquisa e exposição permanente”, sinaliza Curado.
O Termo, que teve acompanhamento ininterrupto do Procurador Federal junto ao IPHAN, Dr. Osvaldo Vieira Costa, foi ajustado para as reais necessidades da região de Ariquemes, possibilitando não apenas a criação do Museu, mas de uma série de ferramentas educativas em prol dos cidadãos.

Parceria

Diante das ações de compensação a serem executadas, o Campus do Ifro em Ariquemes, através do diretor Osvino Schimidt, pleiteou o recebimento do Museu de Arqueologia a ser construído pela Canaã Geração de Energia. Após uma série de reuniões, sempre pautadas nas possibilidades orçamentárias de gestão, o IPHAN deferiu o projeto de construção do Museu na sede do Instituto Federal da região.
Conforme o superintendente substituto do IPHAN esclarece, a iniciativa do diretor do IFRO foi plausível, pois o Museu será mantido e gerido por uma instituição pública e educacional, promovendo e dissipando todo o conhecimento sobre o passado humano daquela região. “É uma bela parceria entre Cultura e Educação. É mais um caso de sucesso, pois consentimos que o Instituto Federal possui totais condições logísticas e orçamentárias para gerir um acervo arqueológico, o qual é tido como patrimônio cultural do povo brasileiro”, sintetiza Curado.

Museus de Arqueologia em Rondônia

Ciente da importância indiscutível de Rondônia no cenário da arqueologia brasileira, a Superintendência do IPHAN trabalha desde 2007 na busca por parcerias nos mais diversos municípios do Estado.
Inicialmente, o primeiro Museu de Arqueologia criado em Rondônia foi o Centro de Pesquisa e Museu Regional de Arqueologia de Rondônia. Instalado em Presidente Médici/RO, o Museu foi um resultado profícuo de parceria firmada entre IPHAN e Prefeitura Municipal de Presidente Médici. A contar com um corpo técnico de professores, o museu trata-se da primeira instituição em Rondônia com temática exclusiva voltada para o patrimônio arqueológico.
Já em 2008, no contexto da instalação das usinas hidrelétricas no Rio Madeira (Jirau e Santo Antônio), o IPHAN solicitou a criação de uma grande Reserva Técnica de Arqueologia – com espaço musealizado – dentro da Universidade Federal de Rondônia. Ainda em andamento, o projeto prevê uma área de 2 mil metros quadrados, a qual irá dar guarda a todo acervo arqueológico resgatado nas usinas do Madeira.
Neste contexto, perpetuando a política de parcerias, o IPHAN firmou o presente TAC no final de 2013. “Apesar de ser nossa atribuição institucional, temos ciência de que sem estas parcerias o trabalho se tornaria subaproveitado. Considerando os três Museus que o IPHAN proporcionou para Rondônia, nosso intuito é de ampliar nossas parcerias, levando cultura e acesso à nossa memória nacional para todos os cidadãos do Estado”, encerra Curado.

Em Porto Velho/RO, Prefeitura tenta conseguir área para construção da Delegacia Fluvial

A prefeitura de Porto Velho está em busca de uma área às margens do Rio Madeira, onde poderá ser construída a Capitania dos Portos e futura sede da Delegacia Fluvial. Uma reunião para tratar do assunto, liderada pelo prefeito Mauro Nazif, foi realizada na tarde desta terça-feira (1/10), no Palácio Tancredo Neves, sede do poder executivo municipal. Participaram representantes da Semur, Semdestur, PGM, Secretaria do Patrimônio da União (SPU), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Coordenadoria de Gestão Patrimonial (CGP) do governo de Rondônia e da Delegacia Fluvial.

Depois de várias ponderações, foram sugeridas duas áreas, uma delas ao lado da ponte, na margem esquerda do Rio Madeira e outra junto ao porto organizado (Sociedade de Portos e Hidrovias). As sugestões serão analisadas pelo governo estadual e SPU, que emitirão pareceres em breve. “Por conta do crescimento da região, entendemos que é preciso o fortalecimento da Marinha, já que na área onde se encontra não pode ampliar sua estrutura. A reunião de hoje foi muito importante e representa um avanço significativo, uma vez que o assunto vinha sendo tratado desde 2009 sem qualquer perspectiva de solução”, avaliou o prefeito.

Ainda de acordo com Mauro Nazif, a SPU já se mostrou favorável em atender a solicitação em qualquer uma das alternativas propostas. O DNIT também não se opõe ao projeto e o representante do Estado, Álvaro Lustosa Pires (CGP) declarou que o governo estadual vai analisar com carinho.

O delegado fluvial em Rondônia, Luiz Reginaldo de Macedo, disse que tem preferência por área localizada na margem direita do Rio Madeira, para facilitar o acesso ao público. Tão logo ele receba oficialmente o comunicado sobre as áreas disponíveis, inclusive com especificações de tamanho, encaminhará para apreciação de seus superiores em Brasília (DF).

A área ocupada atualmente pela Capitania dos Portos faz parte do Complexo da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, tombada pelo Iphan e cedida ao Município pela SPU. Por conta disso, fica inviável a construção da sede da Delegacia Fluvial.

Iphan acompanha alta tecnologia de scanner 3D em estudos arqueológicos em Rondônia

Inicio do escaneamento. Foto: Divulgação

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), através da Superintendência em Rondônia, vem acompanhando as pesquisas referentes ao patrimônio arqueológico nas áreas diretamente afetadas pela Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira, em Porto Velho. Em 2012 o IPHAN presenciou a execução do projeto de “Levantamento de Pedrais com Petroglifos com a tecnologia 3D no Rio Madeira”, o qual escaneou em 3D um conjunto de gravuras pré-coloniais contidas nas rochas.

De grande importância patrimonial, os petroglifos, como são conhecidas as gravuras realizadas em pedras, formam um acervo cultural sobremaneira, criando um elo de comunicação entre os seus artistas/criadores e os atuais cidadãos. O projeto de levantamento em 3D foi executado por pesquisadores portugueses e brasileiros, todos contratados pelo consórcio da usina de Santo Antônio, sendo a documentação desse patrimônio cultural o escopo principal do projeto luso-brasileiro.

O resultado obtido no processo é o de modelos tridimensionais, onde é possível visualizar a arte rupestre como se a pessoa estivesse no próprio sítio arqueológico. Dessa maneira, há a possibilidade de criação de um museu virtual, onde o cidadão poderá realizar um tour pela área do sítio, além de contemplar e compreender o passado pré-colonial do Brasil.

Para o superintendente substituto do IPHAN em Rondônia, Danilo Curado, a tecnologia investida durante as pesquisas arqueológicas insere Rondônia no cenário internacional, não ficando atrás dos demais estudos realizados fora do Brasil. “O uso do escanner 3D possui um potencial informativo sem igual, indo além do que é possível verificar a olho nu. Ademais, a possibilidade didática dos dados gerados torna-se incomparável nas práticas educacionais em prol do patrimônio arqueológico brasileiro, bem como na salvaguarda de uma infinidade de dados científicos”, acrescenta Curado.

Segundo o superintendente, o uso da alta tecnologia na coleta e sistematização de dados é mais uma ferramenta que vem a garantir a manutenção da Memória do povo brasileiro. “Além da garantia do armazenamento dos dados de forma digital, o projeto dará acessibilidade aos cidadãos. No contexto atual onde tanto se é discutido sobre o acesso às fontes culturais, havendo como resultado a criação de um museu virtual, milhares de pessoas, em todas as partes do mundo, poderão conhecer por meio da internet alguns exemplares dos sítios arqueológicos da Amazônia”, expõe Curado.

Pesquisa vai possibilitar a criação de museu virtual de arqueologia. O projeto foi executado por pesquisadores brasileiros e portugueses.

“E é essa devolutiva que pretendemos dar à sociedade, ou seja, apresentar o que havia de patrimônio cultural nessas terras, garantindo o direito das futuras gerações de conhecerem o seu passado e a gênese do seu povo. Mostrar ao povo brasileiro que a Amazônia vai além da fauna e da flora, e que o componente humano é uma característica fundamental na história do bioma amazônico. Assim, compreendemos que defender o patrimônio arqueológico é, também, defender a Amazônia”, finaliza Curado.

Rondônia ganha centro de arqueologia; acervo é de mais de 500 mil peças descobertas em 700 sítios arqueológicos

As mais de 500 mil peças arqueológicas descobertas em Rondônia vão ganhar local fixo. O Complexo Arqueológico será construído no campus da Universidade Federal de Rondônia (Unir), em Porto Velho, e terá 2 mil metros quadrados. A afirmação é do arqueólogo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Danilo Curado.

Atualmente, as peças estão em dois laboratórios que fazem as coletas na construção das Usinas Hidrelétricas (UHEs) de Santo Antônio e Jirau. Segundo o arqueólogo, o complexo arqueológico será construído com verba das usinas em construção no Madeira. O complexo terá laboratórios e museu.

Conforme o chefe do departamento de arqueologia da Unir, Carlos Zimpel, o centro será o maior da Amazônia Legal. “O primeiro pertence à USP [Universidade de São Paulo], o nosso será o segundo maior do Brasil”, afirmou.

As coletas dos materias começaram em 2008, logo após a instalação das obras. Com a descoberta de 103 sítios arqueológicos na região das usinas, Rondônia soma mais de 700 sítios. Curado também explica que durante a construção da linha de transmissão de energia, que passa por Rondônia, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e São Paulo, 60% dos sítios encontrados estão em solos rondonienses. “O que me impressiona é a quantidade de descobertas em tão pouco tempo”, comentou Curado.

Pesquisas

Zimpel explica que várias são as linhas de pesquisa do departamento com materiais arqueológicos. Entre as pesquisas está a de Cleiciane Noleto, que há dois anos analisa fragmentos rochosos para identificar como o material era usado pela comunidade que vivia às margens do rio Madeira. “Entre as amostras, existem rochas de 1,5 mil anos”, comentou a acadêmica de arqueologia.

Além das coletas que são realizadas pelas UHEs, Zimpel explica que há um projeto de identificação da comunidade que vivia no Vale do Guaporé (a 700 quilômetros de Porto Velho). “O local é fronteira entre Brasil e Bolívia e queremos identificar a população nativa daquela região”, comentou.

Via Rondonoticias.com.br

História do Forte Príncipe da Beira pode virar documentário

Com 230 anos de construção, o Forte está localizado à margem direita do Rio Guaporé – Foto: Reprodução

O Forte Príncipe da Beira, em Rondônia, uma das maiores obras edificadas pela engenharia militar portuguesa no Brasil Colonial, segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), está prestes a ter sua história contada em um documentário orçado em cerca de R$ 320 mil e produzido pelo cineasta rondoniense Emanuel Alencar.

Com 230 anos de construção, o Forte está localizado à margem direita do Rio Guaporé e foi construído ainda pela coroa portuguesa. A inauguração aconteceu em 20 de agosto de 1783 com o intuito de consolidar a ocupação na região disputada com os espanhóis.

Emanuel Alencar afirma que o documentário trará de volta muito da história do Brasil Colônia e do princípio da ocupação Amazônica. “Este patrimônio passou muito tempo escondido e hoje existem pessoas que desconhecem a verdadeira história do Príncipe da Beira e é isto que vamos resgatar”, afirma Emanuel.

O projeto já está pronto, mas aguarda a captação de recursos para o início da produção. Os recursos devem vir da iniciativa privada e pública, e serão utilizados como fonte de pesquisas em escolas e universidades.

De acordo com o cineasta, o documentário deve relatar detalhadamente as dificuldades da construção do forte, no contexto da época, além de imagens inéditas dos mais de 900 metros do perímetro do monumento.

O monumento está localizado na fronteira com a Bolívia, cerca de 25 quilômetros do muncípio de Costa Marques, no Vale do Guaporé. Atualmente o Forte é ocupado pelas Forças Armadas, embora tenha ficado mais de 40 anos em estado de completo abandono.

Via Noticiadaki.com.br

Estrada de Ferro atrai 5 mil pessoas por fim de semana, em Porto Velho

Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré foi revitalizado e entregue à população em 2010 (Foto: Jenifer Zambiazzi/G1)

A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM) completou na quinta-feira (1) 101 anos. Segundo uma pesquisa realizada pela Secretaria de Turismo (Setur) de Rondônia, estima-se que a EFMM atrai cerca de cinco mil pessoas por fim de semana, no complexo histórico da ferrovia, em Porto Velho.

Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré foi
revitalizado e entregue à população em 2010
(Foto: Jenifer Zambiazzi/G1)

Além de ser um atrativo turístico, já que parte da ferrovia foi tombada, em 2006 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), como patrimônio cultural brasileiro, várias atividades culturais vêm sendo realizadas no complexo.

Reformada desde 2010, como parte da compensação ambiental da Santo Antônio Energia, a praça e os galpões da Estrada de Ferro, na Avenida Farquar, se tornou um novo espaço de convivência na capital. Foram investidos R$ 4,6 milhões na restauração.

Segundo Beto Bertagna, superintendente do Iphan, a recuperação trouxe à sociedade porto-velhense um espaço pertencente aos próprios moradores. “Antes da recuperação, a praça era um ponto de usuários de drogas, hoje é local de famílias, de crianças”, frisa o superintendente do Iphan.

Festivais de teatro e filme, apresentações de músicas e de poesia na EFMM ocorrem com maior frequência, desde a reforma. Recentemente, Porto Velho contou com o Festival Amazônia Encena na Rua, que levou milhares de pessoas as arquibancadas do complexo.

Outro projeto independente que ocorre no gramado da ferrovia é o Acústico Lo-Fi, que foi criado para ser uma opção de lazer aos domingos. A ideai mistura música, poesia e feira de trocas. Cantores solos, bandas e grupos de amigos se reúnem para apresentar suas composições.

Segundo secretário da Setur Júlio Olivar, outros projetos também serão implantados e criados para aumentar ainda mais este público. “A nossa intenção é fazer visitas monitoradas com as escolas em todo o complexo. Além de disponibilizar turismólogos para a região”, diz Olivar.

Um projeto que já está pronto e deve ser colocado em prática em pouco tempo, segundo o secretário, é o Rota Porto Velho 48h, que pretende fazer circuitos de passeios turísticos pela cidade e seus pontos de atração turística.

A revitalização
Segundo a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) a revitalização da ferrovia de Rondônia começou após um estudo de viabilidade técnica em 2007. A primeira parte da obra foi entregue em 2010.

Igreja de Santo Antônio foi um dos primeiros marcos da história de Porto Velho (Foto: Jenifer Zambiazzi/G1)

Desde novembro de 2011, estão sendo restaurados a oficina, o girador e a rotunda da EFMM. Nesse trabalho estão sendo investidos R$ 8 milhões. Também fazem parte do Complexo da Estrada de Ferro Madeira Mamoré a Igreja de Santo Antônio, que terá a revitalização do entorno entregue em 30 dias e o Prédio do Relógio que está previsto para ter a reforma iniciada até o início de 2014.

Via G1.com

IPHAN-RO aposta em educação patrimonial em arqueologia

boom de investimentos em Rondônia, capitaneados pela construção das Hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, têm preocupado o Iphan. Só nas regiões que compreendem as duas usinas, foram encontrados 103 sítios arqueológicos com vestígios de populações indígenas pré-colombianas. De olho na preservação desses santuários da memória, o Iphan aposta na educação patrimonial dos jovens.

Previsto para ter início ainda neste mês, o Programa de Educação Patrimonial em Arqueologia (Pepa) é voltado para cinco turmas do 6º ano do ensino fundamental de escolas públicas de Porto Velho. É nesta fase que os alunos entram em contato com o conteúdo sobre o passado de antes de Cabral aportar por essas terras. “Começaremos com palestras de 30 minutos. Mas, se for de interesse das escolas, o Iphan poderá executar minicursos, incluindo visitas a sítios arqueológicos e orientações a alunos de outras séries”, explica o arqueólogo Danilo Curado, coordenador do projeto.

Se for bem sucedido, o Pepa será levado para escolas públicas do interior do estado. Já as unidades privadas de ensino podem solicitar o projeto a qualquer hora. “Sabemos que os livros e o professor em sala não conseguem explorar com detalhes o que a arqueologia pode trazer. Ao capacitar a população, o Iphan ganha também novos agentes de fiscalização do patrimônio”, afirma Danilo.

Estudante do 8º período de Arqueologia da Universidade Federal de Rondônia (Unir) e uma das idealizadoras do Pepa, Fernanda Maia destaca a necessidade de conscientizar a população sobre sua história. “Por causa das inúmeras obras aqui, têm aumentado as chances de se encontrar sítios arqueológicos. E, com isso, há o risco de o patrimônio se perder. Para promover o desenvolvimento de uma identidade social mais centralizada e coerente, pensamos em um projeto que começasse pelas crianças, pois, diferente dos adultos, elas exercem sobre a família uma pressão muito maior por mudança”, observa.

Investir em consciência patrimonial para promover educação social é uma das ferramentas de preservação da história apontada pela professora da Unir, Lilian Moser. Para a especialista em memória e patrimônio, apesar de presentes nos discursos, as políticas estatais de preservação e informação sobre o passado na região são incipientes.

“O Estado deveria agir de forma firme, promovendo oficinas para a comunidade e fiscalizando as ações. São inúmeras as igrejas e as comunidades ribeirinhas que têm sido inundadas, apesar dos estudos de impacto para a implantação das usinas defenderem que elas estariam a salvo. A população vê a lei de compensação, como o PAC, como um benefício e não como um patrimônio de todos”, critica Moser, referindo-se à lei que criou o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, um mecanismo para contrabalançar o impacto das atividades sobre o meio ambiente.

Via Revista de História

Saiu no G1: Trecho da Madeira-Mamoré em Porto Velho poderá ser reativado em 2014

Trecho entre a Capela de Santo Antônio e o Complexo da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho deverá ser reativado no final de 2014 (Foto: Jenifer Zambiazzi/G1)

Diversas obras estão sendo realizadas atualmente com intuito de preservar a história de Porto Velho e uma delas será a reativação de um trecho da linha férrea da Estrada de Ferro de Madeira-Mamoré (EFMM). Segundo o coordenador de sustentabilidade da concessionária Santo Antônio Energia (SAE), Alexandre Queiroz, a parte avaliada para religação dos trilhos será entre a Capela de Santo Antônio até o galpão no Complexo da EFMM, na capital.

O projeto será dividido em duas fases, já que em um dos momentos da revitalização da linha sofrerá um impasse com as famílias que residem muito próximas aos trilhos. A situação divide opinião entre os moradores sobre a efetivação da obra na linha férrea.

A aposentada Antônia Lopes aprova o projeto de religação da linha férrea (Foto: Halex Frederic/G1)

A aposentada Antônia Lopes conversou com o G1 e disse que aprova a ideia da reativação dos trilhos e entende que está morando em uma área de perigo. “Eu sei que eu moro num lugar considerado de risco, mas é o único que eu tenho. Aqui [Triângulo] é um bairro muito tranquilo e sem violência, além de vista que eu tenho”, explica.

Se for necessária a retirada, Antônia conta que prefere sair do local e ir morar na outra margem do rio. “Se for o caso de eu ter que sair, quero receber minha indenização e construir uma casinha lá do outro lado do rio, porque eu acho lindo e já estou acostumada com a visão que eu tenho da paisagem toda manhã e fim de tarde”, conta.

Ao lembrar a época que a linha férrea funcionava, a aposentada se emociona comentando sobre os inúmeros passeios ferroviários que teve. “Quando o trem passava, eu achava lindo. Todo mundo se animava quando ouvia o apito da locomotiva e eu já perdi as contas de quantas vezes que eu andei de trem. Era um tempo muito bom e, se reativar [linha férrea], com certeza eu vou voltar a andar de novo”, lembra.

Cleonice Pinheiro, auxiliar de serviços gerais, mora em Porto Velho há mais de 20 anos e diz que se sente segura onde mora e só mudaria de local se fosse a última opção. “A gente não vê tanta violência por aqui. Podemos ficar até altas horas da noite com as portas abertas que não acontece nada. Outra coisa boa é que tudo é próximo da gente; tem supermercado, posto de saúde” , explica.

Sobre a reativação dos trilhos, a auxiliar de serviços gerais comenta que acha muito bom para as pessoas que terão mais uma opção de lazer, entretanto, ela se sente preocupada com o futuro da sua moradia. “Acho válido a religação da linha, mas tem que ver o lado dos moradores também. Tem muita gente que está acostumada com a vida aqui e não vai querer ser retirada”, conta.

Projeto
Giovani Barcelos, arquiteto do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Rondônia (IPHAN-RO), explicou que o projeto de reativação física da linha férrea será feita em duas fases: a primeira contemplará o trecho de trilhos entre a Capela de Santo Antônio e o Cemitério da Candelária com a previsão do funcionamento da linha em outubro de 2014.

Já a segunda fase do projeto recuperará o trecho do cemitério até o complexo da EFMM. O arquiteto avaliou a última fase do plano como ‘a mais complicada’, já que muitos moradores, como a aposentada Antônia, residem muito próximos à linha do trem. “Quem ficará responsável pela retirada das pessoas será a prefeitura, que está analisando a melhor forma de relocar as famílias”, explica.

Segundo o coordenador de sustentabilidade da SAE, a obra de reativação da linha férrea está em fase de aprovação do projeto executivo, que tem previsão de conclusão no início de outubro deste ano. Alexandre explicou que a maioria dos dormentes – peças de madeira que compõe a estrutura do trilho – será substituída por novos e as peças de ferro passarão por um processo de revitalização e alinhamento para tornar a linha contínua e sem interferências.

Para garantir o passeio turístico para a população da capital e para os turistas, paralelamente, uma locomotiva e mais três vagões serão recuperados para poder realizar a viagem do Complexo da EFMM à Igrejinha de Santo Antônio, com uma parada no Cemitério da Candelária.

Plano de retirada
As Secretarias Municipal de Planejamento (Sempla) e de Regularização Fundiária e Habitação (Semur) serão responsáveis para elaborar um plano de retiradas das famílias que moram próximas à linha férrea. O G1 conversou com Jorge Elarrat, titular da Sempla, que afirmou haver um projeto executivo indicando que o a obra de reativação dos trilhos tem prazo para comerçar em até fevereiro de 2014.

Casas construídas próximas aos trilhos da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho, deverão ser retiradas (Foto: Halex Frederic/G1)

“Queremos concluir a obra no dia 2 de outubro de 2014, quando Porto Velho vai comemorar o seu centenário”, explica o secretário, que ressalta que a retirada dos moradores ao longo dos trilhos devem acontecer até fevereiro de 2014.

No entanto, o secretário da Semur, Christian Camurça, afirmou que nada está definido com relação aos moradores no local. O titular da secretaria informou que, primeiramente, será feito o cadastramento das famílias junto ao Iphan e após será definido o perímetro seguro para moradia próximo ao trilho.

Via G1.Com

Centro Cultural Indígena será inaugurado em Porto Velho/RO

O Centro Cultural Indígena construído no entorno da Capela de Santo Antônio, como parte do pacote de compensação da Santo Antônio Energia (SAE) para a construção da UHE Santo Antônio, será inaugurado em uma semana, em Porto Velho. São cinco prédios para exposições e apresentações culturais.

A Capela de Santo Antônio continua como um dos marcos da criação de Porto Velho. Prestes a completar 100 anos de construção a capela ganhou reformas no piso, pintura nova, central de ar-condicionado, calçadas com acessibilidade, lixeiras e estacionamento. Entretanto, um dos principais pontos turísticos da capital também terá outros cinco prédios que foram construídos para abrigar o Centro Cultural Indígena.

O centro poderá ser utilizado para exposições e apresentações culturais. Um dos prédios foi adaptado para se tornar uma biblioteca. O projeto de construção da obra foi acompanhado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Rondônia (IPHAN).

Acessibilidade para cadeirantes, banheiros e lanchonete também fazem parte da obra. Tudo adaptado ao clima amazônico. Uma das principais atrações do local é um estrutura em formato de oca, construção indígena, projetada pelo mesmo arquiteto responsável pelo cenário do filme ‘Xingu’. Uma homenagem aos povos que cederam espaço para a construção da ferrovia Madeira-Mamoré.

fonte: G1 Rondônia

Deu no G1 : Famílias serão remanejadas para revitalização da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré , em Porto Velho

Pátio da ferrovia tombado pelo Iphan em 2006 (Foto: Taísa Arruda/G1)

 As famílias que ocupam a região ao longo dos trilhos da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM), em Porto Velho, serão retiradas do local para o início da obra de revitalização do trecho que compreende a Igreja Santo Antônio até o cemitério da Candelária. O prazo para conclusão da obra é outubro de 2014. Um acordo foi firmado entre prefeitura de Porto Velho e concessionária Santo Antônio Energia para resolver o impasse que impedia a continuação das revitalizações. O barracão onde funciona a oficina de máquinas será entregue em dois meses.

Para o Iphan, este é o primeiro passo para a execução do acordo de compensação das usinas. “Toda a revitalização não teria sentido se o trem não voltasse a fazer o seu passeio, porque se refere ao complexo da estrada de ferro que é a memória da nossa cidade”, diz Beto Bertagna, superintendente do Iphan.

Veja matéria completa e o vídeo no G1 Rondônia

Iphan discute a preservação do acervo arqueológico da Usina de Samuel, em Rondônia

Reunião-UHE-Samuel

Reunião técnica ocorreu nesta semana em Brasília e reuniu membros da Instituição e da Eletronorte. O objetivo é uma aproximação entre ciência e sociedade

Nesta semana, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), por meio da Superintendência em Rondônia, se reuniu no Centro Nacional de Arqueologia (CNA/IPHAN) em Brasília para propor a preservação do acervo arqueológico originado das pesquisas realizadas durante a construção da Usina Hidrelétrica de Samuel, localizada no município de Candeias do Jamari, em Rondônia.

Membros do Iphan e representantes da Eletronorte, incluindo o coordenador de pesquisa da época, o arqueólogo Eurico Theófilo Miller, discutiram os parâmetros necessários para o tratamento ideal do material arqueológico resgatado durante as pesquisas, que totaliza cerca de 200 mil fragmentos, alguns datados de aproximadamente 8 mil anos antes do presente.

Todo o patrimônio arqueológico proveniente da Usina de Samuel encontra-se alocado dentro do próprio empreendimento, local onde também existe uma pequena área “musealizada”, que contém uma amostra do material arqueológico identificado durante as escavações.

“Por se tratar de um patrimônio cultural do povo brasileiro, e, necessariamente, carecer de cuidados específicos para a sua conservação, a reunião entre Iphan e Eletronorte buscou meios para oportunizar a curadoria do acervo. Outro ponto discutido foi a retirada do material arqueológico das dependências da Usina, propiciando um contato mais facilitado entre pesquisadores, sociedade e o patrimônio arqueológico”, destacou o Superintendente do Iphan em Rondônia, Beto Bertagna.

Preservação da memória

De acordo com o arqueólogo do Iphan em Rondônia, Danilo Curado, a curadoria, seguida da retirada do acervo arqueológico das dependências da Usina de Samuel, vai proporcionar o real sentido do material arqueológico -“o de espelhar parte do passado humano”. “Por anos o acervo arqueológico foi mantido dentro da Usina de Samuel, causando um afastamento entre pesquisadores e o acervo. Desse modo, todo o potencial científico do material não fora utilizado, visto que existem dificuldades naturais em adentrar em usinas hidrelétricas, pois tratam-se de áreas de segurança. Havendo o tratamento de limpeza e catalogação e, posteriormente, o encaminhamento para alguma reserva técnica, o acervo arqueológico de Samuel retornará as suas funções científicas e, acima de tudo, sociais.”, sugere Curado.

Ainda segundo o arqueólogo do Iphan, a maior justificativa para a escavação arqueológica é o resgate da história por meio da cultura material. “Assim, um acervo arqueológico deve ser mantido próximo às comunidades e para elas. É preciso atingir o patamar social”, enfatiza.

Para o superintendente Beto Bertagna, o tratamento e a alocação do acervo arqueológico da Usina de Samuel em outra instituição representará um ganho sem igual para a sociedade científica e a comunidade em geral. “Um resgate arqueológico no âmbito do licenciamento ambiental justifica-se, inicialmente, por tratar-se de questões legais quanto ao patrimônio cultural brasileiro”, finaliza.

A Eletronorte se compromissou em contratar uma equipe especializada no tratamento de materiais arqueológicos, além de manter a consultoria constante do arqueólogo Eurico Miller, por acreditar que o pesquisador é uma “memória viva” de toda a pesquisa arqueológica realizada na Usina de Samuel na década de 1980. Em concomitância, a superintendência do IPHAN em Rondônia manterá ações de fiscalização sobre todas as atividades de curadoria, além de auxiliar em questões técnicas quando se apresentarem necessárias.

Histórico

Durante a construção da Usina de Samuel, instalada no município de Candeias do Jamarí/RO, ainda na década de 1980, foram efetivadas pesquisas intensivas de arqueologia, todas coordenadas pelo arqueólogo Eurico Theófilo Miller. Durante os anos de 1987 e 1988, Miller e sua equipe resgataram 101 sítios arqueológicos, totalizando um acervo de quase 200 mil artefatos arqueológicos.

IPHAN anuncia a criação da maior reserva técnica de arqueologia do norte do Brasil

Cerâmica Antropomórfica encontrada na usina de Jirau (Foto: Danilo Curado/IPHAN-RO)

Cerâmica Antropomórfica encontrada na usina de Jirau (Foto: Danilo Curado/IPHAN-RO)

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), através da Superintendência em Rondônia, anuncia a criação da maior reserva técnica de arqueologia, com cerca de 2.000 m² , do norte do Brasil. Após diversas tratativas que acontecem desde 2009, uma reunião na última semana definiu a construção da Reserva Técnica de Arqueologia na Universidade Federal de Rondônia (Unir).

A Reserva Técnica abrigará todo o acervo arqueológico encontrado nas usinas hidrelétricas de Santo Antônio e de Jirau. Seguindo a legislação sobre o patrimônio arqueológico, o IPHAN decidiu pela criação de uma instituição de guarda de material arqueológico dentro da Universidade Federal de Rondônia. A construção será custeada pelos consórcios das usinas, e na Reserva Técnica estará salvaguardado todo o acervo arqueológico resgatado nas áreas dos empreendimentos hidrelétricos. Para agilizar o processo de construção da Reserva Técnica, o grupo definiu que no próximo dia 24 de abril será assinado o Termo de Cooperação, oficializando a construção do local de guarda do patrimônio arqueológico dentro do campus da Universidade em Porto Velho, capital de Rondônia.

Para o arqueólogo do IPHAN-RO, Danilo Curado, a construção da Reserva Técnica será um grande avanço para a arqueologia no estado devido ao crescente número de sítios arqueológicos identificados em Rondônia nos últimos anos, e aos que ainda deverão ser localizados. Segundo ele, com esse edifício exclusivo para o acervo proveniente das pesquisas de arqueologia, haverá condições materiais possíveis para assegurar, com salubridade, a proteção destes bens da União e da Memória Nacional.

O superintendente do IPHAN-RO, Beto Bertagna, diz que a construção da Reserva Técnica representará a conclusão dos esforços do IPHAN. “Apesar de não constar em lei a obrigatoriedade da permanência exclusiva deste material arqueológico no próprio estado, o IPHAN sempre manteve o direcionamento de que o acervo identificado em Rondônia iria ficar em Rondônia. Essa questão respeita os princípios das cartas internacionais relativas ao patrimônio arqueológico, as quais indicam que o acervo proveniente das pesquisas arqueológicas devem permanecer o mais próximo possível de suas fontes, ou seja, dos sítios arqueológicos e, consequentemente, da comunidade”, finaliza Bertagna.

Em Rondônia, pesquisa arqueológica quer provar que ocupação humana data de 7 mil anos

Material lítico (esquerda) e cerâmico (direita) estão sendo encontrados durante a escavação e podem comprovar as diferentes épocas de ocupação humana em Rondônia (Foto: Larissa Matarésio/G1)

Um estudo que está sendo realizado no Sítio Arqueológico do Teotônio, na região do Alto Rio Madeira, em Porto Velho, quer provar que existiu ocupação humana há mais de sete mil anos na região. Uma pesquisa realizada ano passado pela Universidade de São Paulo (USP) aponta que a ocupação mais antiga comprovada é de 3,2 mil anos. A grande quantidade de ‘terra preta’ ou ‘terra de índio’, como também é conhecido o solo muito fértil que é resultado da ação humana, será analisada por arqueólogos do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP e alunos do curso de arqueologia da Universidade Federal de Rondônia (Unir), que ajudam na escavação.
A partir do mapeamento da sobreposição das camadas do solo do sítio arqueológico e dos objetos cerâmicos e líticos encontrados durante a escavação será possível identificar e datar a ocupação da área. “Através dos sinais de deposição de materiais no solo é feita a análise para datação e vestígios do que é composto o material recolhido”, explica a geóloga Michele Tizuka, que faz parte da pesquisa.

Eduardo Neves, coordenador do estudo, diz que a grande quantidade de terra preta encontrada na região também pode conter indícios de populações que deixaram de ser nômades e se fixaram em Rondônia muito antes de outros povos da Amazônia.

“A terra preta se forma a partir de séculos de acúmulo de materiais orgânicos provenientes da ação humana, como restos de alimentos e de utensílios, por isso, onde esse tipo de solo é encontrado temos muito material arqueológico para estudar”, ressalta Neves.

Segundo Eduardo Neves, as novas descobertas no sítio do Teotônio podem ajudar a estabelecer alguns parâmetros para entender como ocupar a Amazônia de forma sustentável. “Estudar este solo é abrir uma janela arqueológica para entender o modelo de vida antigo e através do desenvolvimento da agronomia replicar de forma menos agressiva junto ao modelo de vida atual”, diz.

O estudo pode provar também, segundo Neves, que a mandioca foi domesticada nesta região do estado e que em Rondônia foram encontrados os melhores registros contínuos de formação e ocupação de áreas de terra preta de toda a Amazônia.

A escavação do solo por níveis pode revelar diversos tipos de materiais de diferentes épocas de ocupação humana. “As duas fases mais aceitas de ocupação humana são a de caçadores/coletores e dos agricultores. Os caçadores são formados por populações nômades que construíam e utilizavam objetos líticos, de pedra; enquanto os agricultores são mais conhecidos pelas cerâmicas e por serem ocupações mais recentes. Nestas escavações estamos encontrando os dois tipos de material”, explica Thiago Trindade, do grupo de estudos do Museu de Arqueologia e Etnologia .

Neves diz que a delimitação do perímetro do Sítio Arqueológico do Teotônio ainda não está totalmente definido. “Tudo indica que o sítio é muito grande e que ainda não conhecemos toda a extensão dessa área de ocupação. O mais importante é que podemos aproveitar este material para muitos anos de estudo e transformar o sítio em sítio escola, para que os alunos da Unir possam trabalhar em campo, atuando e estudando nessa região”, completa.

O estudo é acompanhado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

fonte: G1 Rondônia

Em Rondônia, blog mostra a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré antes e depois de revitalização

Veja neste arquivo Power Point produzido pelo Arquiteto Giovani Barcelos , um comparativo entre o que era a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré no ano de 2008 e , depois, no ano de 2012. Muito útil para professores de história regional e para quem realmente se interessa pela realidade da ferrovia tombada. Clique no link para fazer download     >      ESTRADA DE FERRO MADEIRA-MAMORÉ

fonte: efmm100anos

Campanha em Rondônia busca assinaturas a favor da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré , candidata a Patrimônio Cultural da Humanidade junto a Unesco.

Pátio da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho (Foto: Taísa Arruda/G1)

A centenária Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, em Porto Velho, é candidata ao título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).  Desde o ano passado, o comitê pró-candidatura realiza uma campanha em todo o estado, a fim de recolher assinaturas a favor do título à ferrovia.   Veja a matéria completa no site G1

Para participar, basta assinar a petição publica através da página do centenário, clicando aqui

Leia também : A espetacular Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, Patrimônio Cultural da Humanidade

 

Pesquisas demonstram o potencial arqueológico de Rondônia

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Rondônia (IPHAN-RO) vem acompanhando as pesquisas arqueológicas no estado relativas à Linha de Transmissão (LT) de energia elétrica que ligará a cidade de Porto Velho-RO a Araraquara-SP. Somente em Rondônia, a equipe de arqueologia identificou 51 sítios arqueológicos, o que corresponde a 67% da totalidade de sítios de todo o empreendimento.

Com uma extensão de 2,3 mil quilômetros, a LT conduzirá para São Paulo a energia gerada pelas Usinas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira. Para chegar em Araraquara, atravessará todo o Estado de Rondônia e do Mato Grosso, além de percorrer trechos em Goiás, Minas Gerais e São Paulo.

As pesquisas arqueológicas foram realizadas de maneira sistemática nas 1,3 mil torres da Linha de Transmissão em Rondônia, além dos canteiros de obras e nos novos acessos abertos para que o maquinário alcançasse o ponto de instalação das torres. A mesma metodologia de pesquisa ocorreu nas 2 mil torres em Mato Grosso, 622 torres em Goiás, 175 em Minas Gerais e 691 em São Paulo.

Segundo o arqueólogo do IPHAN-RO, Danilo Curado, o empreendimento apresenta a riqueza arqueológica do estado de Rondônia. “As pesquisas colaboram também com a crescente importância de Rondônia dentro do cenário arqueológico nacional e, mais do que nunca, justificam a imprescindibilidade do licenciamento arqueológico nos grandes empreendimentos”, salienta Curado.

Para o Superintendente do IPHAN-RO, Beto Bertagna, a quantidade de sítios arqueológicos estudados na Linha de Transmissão, somados aos identificados nas Usinas de Santo Antônio e de Jirau, correspondem a 154 sítios. “Devido à construção desses empreendimentos do ramo energético, inúmeros sítios estão passando por resgate arqueológico, assegurando a preservação do nosso passado histórico. Provavelmente, se não ocorressem tais construções, além do acompanhamento intensivo do IPHAN, boa parte desses sítios seriam impactados pelo intemperismo ou pelo desenvolvimento estrutural, apagando da Memória Nacional todas essas informações da gênese humana”, afirma Bertagna.