IPHAN-MG entrega restauração à cidade dos sinos

Conhecida como a terra onde os sinos falam, a cidade de São João Del Rei, em Minas Gerais, recebeu restaurado do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Cultural em Minas Gerais (IPHAN-MG) o corpo de madeira de um de seus conhecidos entoadores de badaladas.

Atendendo ao pedido da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, zelosa pelo patrimônio cultural, a equipe técnica especializada do IPHAN-MG  restaurou o corpo de madeira para receber a nova bacia e fez as substituições necessárias para que o sino pudesse continuar a soar como antes. Todo o trabalho, que durou dois meses, foi realizado nas dependências da Oficina do IPHAN, na cidade de Tiradentes (MG).

O novo sino, batizado de Simão Stock, em homenagem a São Simão, que nasceu e viveu na Inglaterra no século XXII, fará par com o sino Santo Elias. No último domingo, dia 14 de julho, deu seu primeiro repique e ecoou um belíssimo som pela cidade e estará a postos para soar no dia de Nossa Senhora do Carmo, comemorado na terça-feira, dia 16 de julho.

O sino é como um documento e como tal deve ser preservado. Ele traz informações, fatos e detalhes únicos de uma época, de um momento da história, seja da cidade, do seu momento evolutivo, e do país, assim como da própria construção das igrejas, explica o chefe do Escritório Técnico do IPHAN em São João Del Rei, Mario Antônio Ferrari Felisberto.

Patrimônio Imaterial
O Toque dos Sinos em Minas Gerais constitui forma de expressão que associa os sinos, o espaço onde estão instalados – as torres-, os sineiros e a comunidade que os ouve em um processo de codificação e decodificação de mensagens há muito tempo transmitidas nas cidades de Minas Gerais.

Essa forma de expressão, que associa a estrutura dos toques à ocasião religiosa em que devem ser tocados, contribui para o agenciamento de formas de sociabilidade, originalmente, relacionados à vida religiosa daquelas comunidades, mas que, hoje, ultrapassa essa dimensão, abrangendo sentidos e significados relacionados à sua identidade cultural.

Em dezembro de 2009, o Toque dos Sinos em Minas Gerais foi inscrito o Ofício de Sineiros foram registrados como Patrimônio Cultural do Brasil.

São João Del-Rei recupera bordados de João Cândido, líder da Revolta da Chibata

O marinheiro João Cândido, protagonista de um movimento que amedrontou toda a cidade do Rio de Janeiro em 1910, tinha o hábito de bordar. A evidência concreta está em São João Del-Rei (MG), onde se encontram duas toalhas bordadas pelo líder da Revolta da Chibata. Elas fazem parte do acervo do Museu Tomé Portes Del-Rei, que estava desativado e será reaberto ao público.

Segundo o novo secretário de cultura de São João Del-Rei, Pedro Leão, os bordados se constituem como um documento histórico para compreender o período e enriquecem o patrimônio artístico da cidade. Ele conta que as obras foram encontradas no dia 2 de janeiro. “Elas estavam em uma sala úmida, sem o menor cuidado de preservação, juntamente com outras telas e fotografias. Imediatamente foi feito o translado pra uma sala maior, mais arejada e limpa. Também já contratamos um técnico que será responsável pela higienização e restauração do acervo”, explicou Pedro Leão.

“Uma vez aprovado o projeto, nós acreditamos que o museu será reaberto num prazo de 3 anos. São mais ou menos 800 obras. Talvez o restauro de algumas delas pode demorar mais. É necessário um conhecimento técnico para dar uma estimativa mais exata”, diz Pedro Leão. Ele conta que também está sendo elaborado o Blog do Acervo, que conterá informações históricas da obras.

(Foto: Luciano Oliveira / Secretaria de Cultura de São João Del-Rei)
Bordada pelo marinheiro João Cândido, a toalha intitulada “Amôr” integra o acervo de um museu no município de São João Del-Rei (MG).

O secretário ressalta que, embora algumas obras tenham sido perdidas devido à deterioração, os bordados de João Cândido encontram-se em bom estado. “Um deles apresenta uma mancha, talvez proveniente da umidade ao qual eles estavam expostos. Mas acredito que ela será removida”, disse.

João Cândido liderou a Revolta da Chibata entre os dias 23 e 26 de novembro de 1910. Indignados contra o uso da chibata e outras práticas humilhantes da Marinha brasileira, os marinheiros assumiram o controle de quatro embarcações. Entre elas, estavam os encouraçados recém-incorporados São Paulo e Minas Gerais, que possuíam 84 canhões e figuravam entre os mais poderosos do mundo, com um poder de fogo que poderia causar sérios estragos na cidade.

O clima tenso que tomou conta do Rio de Janeiro se agravou ainda mais com alguns disparos esparsos, em direção a navios e fortalezas. Apesar do acordo com o governo, que incluía a anistia aos rebelados, os marinheiros permaneceram presos por muito tempo e João Cândido foi expulso da Marinha.

Restauração

A restauração de todo o acervo é parte do projeto inscrito pelo município no PAC das Cidades Históricas, programa governamental coordenado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). São João Del-Rei apresentou uma demanda de R$19 milhões para a recuperação de todo seu patrimônio histórico e cultural.

fonte: EBC Cultura