Tecnologia auxiliará no trabalho de fiscalização do IPHAN

Após três anos de desenvolvimento, o Sistema Informatizado de Fiscalização (fiscalis) do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) está concluído e auxiliará no trabalho de fiscalização do patrimônio em todo o país. O Sistema é desenhado em dois módulos: web e móvel, que permitem planejar, gerenciar e executar as fiscalizações de forma mais prática e ágil. O primeiro tem como função primordial o gerenciamento, permitindo o planejamento e monitoramento da atividade. O módulo móvel permite que a fiscalização de campo utilize tablets e impressoras portáteis.

Entre os benefícios do fiscalis estão o processamento, armazenamento, planejamento, controle e segurança eletrônica da informação, o que possibilita uma redução no tempo de instrução e tramitação dos processos de autorização e fiscalização. Outro ganho com os dispositivos informacionais móveis para a realização da atividade em campo é o aumento da eficiência do trabalho dos fiscais, reduzindo a quantidade de material transportado, desmaterializando os procedimentos e utilizando tecnologias modernas de geoprocessamento.

Já nesta segunda-feira, dia 16 de setembro, os 30 primeiros servidores, dentre fiscais e autoridades julgadoras, serão treinados para utilizar o sistema.  Em outubro, outros 30 serão capacitados. Estes 60 servidores serão multiplicadores do conhecimento nas superintendências regionais do IPHAN, diminuindo assim, os custos da administração com diárias e passagens e promovendo maior celeridade ao processo. Por enquanto, o Sistema atenderá a fiscalização do patrimônio edificado. Porém a intenção é expandi-lo para abranger todo o patrimônio cultural brasileiro.

Tecnologia auxilia restauro da Capela Nossa Senhora da Boa Morte em Campinas

Em vez de bisturis, espátulas, estiletes e lâminas, um grupo de restauradores lançou mão de equipamentos de última geração para analisar as paredes e os murais da Capela Nossa Senhora da Boa Morte, localizada no centro da edificação da Santa Casa de Misericórdia de Campinas. Além de acelerar o processo de coleta de dados, as técnicas usadas são consideradas não destrutivas. Após o levantamento, os restauradores irão avaliar a necessidade de intervenção e de que forma ela será feita para se chegar à pintura original. A expectativa é encontrar sob as diversas camadas de tintas um verdadeiro tesouro sobre a história da capela de 142 anos e da cidade de Campinas.

Entre os aparelhos utilizados estão tomógrafo, microscópio digital, termovisor e uma paleta automática. A restauradora-pesquisadora Elizabeth Kajiya, do Instituto de Física Nuclear da Universidade de São Paulo (USP) e do Grupo de Conservação e Restauro da Arquitetura e Sítios Históricos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) trabalha em parceria com o restaurador Antônio Sarasá, responsável pelo projeto da capela. Elizabeth explicou que será feito um levantamento constitutivo do material usado nas pinturas decorativas da capela. Em análise preliminar, já foi possível verificar que há períodos distintos de pintura e que sob uma das paredes do lado direito há um desenho.

O restaurador Antonio Sarasá e Elizabete Kajiya, do Instituto de Física Nuclear da USP, com o aparelho termovisor no interior da capela. Foto: Elcio Alves/AAN

Uma das técnicas que serão utilizadas é a análise de superfície, chamada imageamento. Os restauradores farão uma espécie de escaneamento da pintura sem precisar raspar a parede com o bisturi, como é feito na técnica convencional. “Com a luz infravermelha vamos tentar identificar as camadas internas, as técnicas artísticas utilizadas e, tendo todo esse levantamento, ver se houve intervenções de restauro e diferenciar as etapas.” Além da luz infravermelha, será usada luz ultravioleta, que vai avaliar a interação do material, as áreas de retoques antigos e recentes, e luz rasante, que vai mostrar as deformações, craquelamento e fissuras.

Além das paredes e murais da capela, a imagem de Nossa Senhora da Boa Morte, trazida da França, em 1907, e, aparentemente bem preservada, também será analisada pelos restauradores. Ela deverá ser submetida a um tomógrafo que vai avaliar o seu real estado de conservação. Depois da análise, os restauradores vão poder dizer o quanto a capela está danificada e se precisa ser restaurada. A coleta de dados deve levar 15 dias e a análise das informações deve ficar pronta em quatro meses. Com os dados em mãos, os pesquisadores irão definir se haverá necessidade de intervenção. As possibilidades são restaurar ou conservar como está. “O objetivo final não é a restauração, mas a preservação da história. O mais importante é deixar a história inteira”, afirmou Sarasá, restaurador responsável pelo projeto.

As primeiras intervenções, consideradas emergenciais, começaram a ser feitas na capela em 2009 e foram propostas pelo Instituto de Saúde Integrada (ISI). Elas incluíram a retirada de cupins, limpeza de calhas, reboco externo. Já o trabalho iniciado ontem é considerado a etapa artística. “Até então, foi utilizada a técnica do bisturi, descascando camada a camada até chegar à pintura original. É válida e permitida no processo de restauro, mas tem a desvantagem do tempo, que é maior, e da dificuldade de encontrar profissionais especializados”, afirmou Leide Mengatti, diretora-executiva do ISI. Segundo Reinaldo Masson, um dos restauradores, a expectativa é restaurar 70% da pintura original. O custo estimado do trabalho é de R$ 9 milhões e até agora tem contado com a doação de fiéis e da comunidade.

Riqueza histórica
A capela foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) em 1972 e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas (Condepacc) em 1988. O altar-mór da capela, as duas pias de água benta e o piso do presbitério são em mármore de Carrara. As grades que cercam o altar principal foram construídas pela fundição Irmãos Bierrenbach. O frontispício da igreja é adornado por três estátuas artísticas de mármore simbolizando a fé, a esperança e a caridade.

Via Correio Polular